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​COGITO ERGO SUM ¹

Por Cesar Colleti 1 de junho de 2016 2 min de leitura

    É aceita pacificamente a afirmação de que “escrever é uma arte”. Falar em “Arte” leva, necessariamente, a pensar em “Estética”, que é a parte da Filosofia que se ocupa de uma teoria geral da sensibilidade. Com esse sentido, Kant (“Crítica da Razão Pura”) dá por objetivo da Estética “o estudo da sensibilidade e das formas puras do sentimento”. Esse é, de modo geral, o entendimento de filósofos como Koenigsberg e Baumgarten (“Aesthetica”); o que leva a se afirmar que a Estética é a ciência do Belo ou a filosofia da Arte. Assim, o objeto da Estética é o Belo.  

  Mas o que é o Belo?  Inúmeras são as definições, nada serenas as discussões e as tentativas não encontram consenso.   Pela rama, vejamos as teorias mais conhecidas:

    1. – O Belo é a Verdade (Platão, Boileau).   

    2. – O Belo é o que agrada (São Thomaz: teoria sensorial).

    3. – O Belo é o útil (Etienne Souriau: teoria pragmática ou utilitarista).  

    4. – O Belo é o Bem (literatura engajada, militante ou sectária: teoria ética ou

           moralista).

    5. – O Belo consiste na ordem e na grandeza (teorias didáticas: Aristóteles,          

          “Poética”).

    É impossível debulhar esse cipoal. Vejamos sumariamente o primeiro conceito. Platão lecionava que “O Belo é o esplendor da Verdade”, conceito encampado pela teoria da realidade clássica, consubstanciada nos versos de Boileau: “rien n’est beau que lê vrai, lê vrai seul est aimable” ². 

   Mas, o que é a Verdade?  A Verdade de que fala Platão e Pilatos indagava a Cristo? Ocorre que a natureza não se ocupa de questões próprias do homem, fruto da construção cultural da humanidade; a natureza “apenas é”, sem nada indagar ao homem.

   Assim, a questão interessa apenas aos bípedes, afirmava Bilac in “Conferências Literárias”, (“A Beleza e a Graça”). Aí estamos no inevitável reino das incertezas e mais aumentam as dúvidas que indagam quanto ao espaço (lugares); ao tempo (ontem secular) e quanto ao conhecimento (cultura individual ou coletiva).

   Filosofar é assim: quando se alcança um conceito, logo nascem outras perspectivas… E tudo recomeça!…

 ¹ Penso, logo sou (existo).

 ² Nada é mais belo que a verdade.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

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