
Mais uma vez, ela sentada na areia daquela praia. A única praia que a fazia sentir-se bem. Que a fazia pensar. E era sempre para lá que ela ia quando desejava refletir. Era naquele lugar que ela se sentia inteira. Menina. Mulher. Era ali que ela sentia as coisas primeiro. Que não tinha vergonha de seus medos. Das dúvidas. Dos desejos. De si mesma. Era ali que ela tomava suas decisões. Era naquele local que ela dava as suas palavras ao mar. Onde deixava as tristezas dos desencontros, as frustrações do dia-a-dia, a intolerância, a raiva, a imprudência. Era ali que ela oferecia mais gotas à imensidão do próprio mar que ela sempre via. Ali ela contava os grãos de areia. Fazia deles, sonhos seus. Encostava-os ao seu peito e desejava com coração a sua concretização. Depois levantava e ia lutar por eles sabendo que a própria praia lhe dava a sua bênção. Ali, ela sempre se sentia protegida. A areia era o seu lençol onde podia chorar tudo o que guardava seu coração diariamente. O mar era a sua mão amiga, estendida pronta para socorrê-la, para ajudá-la.
Seus segredos eram guardados pelos búzios. Suas lágrimas limpas pelas algas. Seus passos marcados na areia. Seus sorrisos levados pelo vento que os estendia por toda imensidão daquele mar. Lá longe. No infinito do horizonte. Seus sentimentos eram revelados no único momento em que o sol desejava deitar, momento mágico que a preenchia constantemente e a fazia entender milhões de coisas. Ali ela conseguia ser ela mesma. Naquele lugar ela sabia ser possível aprender tudo o que precisava para se tornar uma pessoa melhor. E foi através do vai-e-vem das ondas, que ela percebeu que um dia encontraria também um outro que olharia e sentiria tudo o que a praia oferece, tal como ela.


