
A noite já ia longe. E ela falava consigo mesma sobre tudo o que gostaria de falar para alguém naquele momento. Amores, medos, anseios, desejos, saudades…
E a noite parecia não terminar nunca. Com seus barulhos, luzes, cheiros e sabores.
Talvez tivesse ficado petrificada e nem sabia. Sem pregar os olhos, seu pensamento corria a milhas e milhas distante dos quadros e almofadas daquele bar que ela conhecia tão bem.
De um lado para o outro… Em pé, sentada, sozinha, acompanhada… Canções que vinham e iam, assim como todos os amores que já tivera.
Pessoas flutuavam e as notas a tocavam enquanto ela se tocava. Olhos cerrados. Respiração ofegante. Um leve sinal de suor. Mãos, olhos, tudo com amor e por amor.
Ela pôde desenterrar tudo que não mais pensava. Apenas sentia.
E a vontade de comer um pedaço de pizza era com aquele dono do belo e irresistível par de olhos azuis, sentado na mesinha do canto, perto do som. Aquele que hoje, fingia não conhecê-la, mas que há poucos dias, mostrou-lhe um novo mundo de fantasias. Então, num único gole, terminou com seu dry martini.
Acredite, não estava triste. Apenas em paz.


