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Cultura

Fazer sucesso com as artes depende de talento, atitude e rede de contatos

Por Cesar Colleti 5 de janeiro de 2016 5 min de leitura

Rafael diz não haver receita para garantir boas conquistas no mercado da arte

No teatro, como em qualquer outra área, o sucesso no mercado de trabalho é conquistado por meio da profissionalização, da atitude do profissional e de sua rede de contatos. Investir em um bom curso, técnico ou superior, com docentes capacitados, ativos no mercado e atualizados com os movimentos que regem a constante transformação da área, é fator determinante para um início sólido nessa jornada.

Essas são palavras de Rafael Bougleux, ator com mais de nove anos de experiência, e docente de Teatro no Senac Franca. Para ele, não há uma receita pronta para garantir boas conquistas no mercado da arte – sempre há variáveis no caminho, entretanto, existem meios de facilitar a trajetória, e o conhecimento é um deles. “Apesar de presenciarmos vários quesitos que precisam ser aprimorados ou mesmo criados no mercado regional, como espaços para apresentações, incentivo público e participação popular, temos um movimento em ascensão na área de teatro”, observa.

Segundo ele, grupos independentes, muitos deles oriundos de cursos técnicos ou superiores, estão lutando por políticas públicas, dialogando com os cidadãos e adaptando espaços e maneiras de desenvolver seus projetos. “São ações que estimulam e estruturam o futuro do mercado teatral, e o conhecimento da área é fundamental para seguir em frente com essas iniciativas”, afirma Rafael.

A qualificação

Elisa diz que o conhecimento dá base para oferecer trabalhos com segurança e profissionalismo

Para Elisa do Nascimento, 27 anos, aluna do curso Técnico em Arte Dramática do Senac Franca, a qualificação traz riqueza de conteúdo, capacitando os alunos de forma prática. “Nas aulas, você vivencia o que é ser/estar em cena, e fora dela. O curso proporciona uma visão completa do teatro e da arte dramática, ainda mais por termos contato com diversos professores atuantes no mercado”, conta Elisa, cuja experiência de se qualificar como atriz está sendo um grande divisor de águas em sua vida. “O conhecimento me dá base para oferecer meus trabalhos com segurança e profissionalismo”, destaca.

Hoje, 50% da renda de Elisa advêm do teatro. “Muitas pessoas ainda têm a crença de que artista/ator não ganha dinheiro, porém, sabendo produzir por meio de editais e/ou projetos locais e investindo em desenvolvimento pessoal e profissionalização, logo aparecem grandes oportunidades”, diz. A artista também reforça que ter o teatro como profissão vai muito além do simples subir ao palco, há toda uma preparação para atuar: vocal, corporal e mesmo moral. “Nesse segmento você também adquire conhecimentos de iluminação, figurinos, cenários, produção e, principalmente, aprende a trabalhar em grupo”.

O Instituto Arte & Vida foi criado por amigos que se reuniam para montar espetáculos espíritas

Apesar dos feriados e fins de semanas serem repletos de ensaios, Elisa tem paixão pelo o que faz e já tem trabalhos agendados para todo ano de 2016. De acordo com ela, viver das produções, dar aulas de teatro e participar de espetáculos são metas profissionais. Além de atriz, é produtora no Coletivo Garrafa Verde e estudante de pedagogia.

Segundo a FEAC – Fundação de Esporte, Arte e Cultura, atualmente existem mais de 75 grupos e 250 pessoas solos nesse segmento em Franca. Estes ainda são responsáveis pela apresentação de cerca de 300 espetáculos ao ano no município. Um dos mais antigos em atividade é o Instituto Arte & Vida, criado em 1983, através de um grupo de amigos de Mocidades Espíritas, que se reuniam para montar espetáculos espíritas a serem apresentados em encontros de jovens. E diferente da maioria dos profissionais em atividade, não visa lucro: é mantido exclusivamente através da renda da promoção de eventos, vendas de camisetas, bonés, entre outros, e das contribuições espontâneas de associados, sendo formado por voluntários.

O curso

Atualmente, são 66 alunos no Técnico em Arte Dramática do Senac Franca, e a unidade ainda oferece cursos livres na área. Segundo Rafael, os conteúdos das qualificações fundamentam-se nos estudos do corpo, da voz, da inserção da teoria teatral e da aplicabilidade desses conhecimentos na criação de cenas. “O aluno/ator tem um espaço de investigação e pesquisa da experiência teatral, já que, durante os cursos, ele não é somente colocado na situação do “fazer teatro”, mas também de vivenciar e refletir sobre o seu fazer”, diz.

Veja algumas dicas de Rafael Bougleux para ter um início sólido de carreira no ramo de teatro: 1) Atitude: está ligada às habilidades do profissional de teatro em combinar e adaptar conhecimentos e experiências para atuar no mercado de trabalho, mediante as características da sua cidade/estado/país; 2) Função: é equivocado pensar que o ator deve apenas decorar textos e ir para cena. Hoje, vivemos um cenário que exige a polivalência. O ofício do ator está para além da “interpretação”, podendo trabalhar como produtor, maquiador, agente político/cultural, dramaturgo, entre outras funções. 3) Contatos: determinará a permanência do profissional no mercado. O ator carece de projetos e da continuidade deles para que seu trabalho apareça e, consequentemente, seja apreciado, cotado e indicado.

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