Na cidade de Delfos na Grécia, hoje em ruinas, um santuário dedicado à Apolo, antes à Gaia, deusa da Terra, existia uma inscrição na entrada em grego: “gnōthi seauton” que significa: “Conhece-te a ti mesmo”.
A sentença “Conhece-te a ti mesmo” atribuída a vários filósofos, propõe concentração e foco no próprio SER, que já é o bastante. A proposta ainda orienta a não prestar atenção a opinião da multidão.
Tal sentença, caso apossada, contradiz recomendações de etiqueta ou marketing pessoal e aqui está o ponto: O que estamos fazendo com o que fizeram de nós?
Há de se fortalecer o pensamento contemporâneo desviando-se de estilo e estética. A sentença não oferece liberdade, tranquilidade, muito menos estabilidade e equilíbrio, uma vez que o mergulho dentro de si pode encontrar traços e tantas coisas inadmissíveis ou até então nunca pensadas.
A reação desencadeada ao si conhecer pode ser talvez, caso transbordada em produção, nossa melhor contribuição em vida.
Torna-se improdutivo enfrentar medos sem conhecer suas causas ou efeitos. Tem causas que são circunstanciais, na vida ou no trabalho, na família ou na escola. Existem causas que podem ser modificadas e os recursos para esta mudança estão no “Senhorio” de si mesmo, que, pode re-significar de várias maneiras os jardins de onde brotam tais preocupações, medos e traumas.
Trago a primeira reflexão ao profissional que traça para si um plano de carreira na área de Direito guiado por valores essencialmente monetários. Após 20 anos, cansado, talvez tenha a sensação de nada ter encontrado.
A segunda reflexão seria sobre o amor guiado pela estética. Me perdoem o sarcasmo, mas as rugas virão e o amor chegará ao fim e prevalecerá a sensação de: “O que foi que eu fiz?”. A pergunta correta seria: “O que foi que não fiz?”.
Não que o mundo seja um campo dedicado à Ditadura Racional, mas quando o pensamento antecede corpo, espírito e emoção aí brota o “CONHECE-TE A TI MESMO”.
Questões como: Será esta a melhor profissão? Será que eu amo mesmo? Será que perdi tempo? E se eu fizesse o que fez o outro?
A dúvida tem atormentado a sociedade moderna e sem me cansar cito Bauman, que a trata como líquida.
Frente a tantas possibilidades é possível que a fé, religiosa ou em si mesmo, seja alterada a cada mês.
E podemos ir além. No processo de autoconhecimento podemos conhecer nossos problemas, nossos anseios e quais de fato nos fazem estremecer, sorrir, pensar, se movimentar.
O jugo do trabalho e da vida já nos tem como objeto inevitável, toma nossa energia, consome nossos anos, saúde e tempo. Cabe a nós, em nossa INDIVIDUALIDADE, torna-lo mais leve com foco em si mesmo.
Pode ser que próximo ao CALVÁRIO você perceba não ter produzido o suficiente, mas poupe-se, pois qualquer que seja o desafio de mudança, após este desafio vem outro maior como: Curar e cuidar para que não adoeça novamente, passar no Vestibular e sustentar os 5 anos seguintes com boas notas, ser perdoado e zelar pela boa convivência, entre outros.
Ainda pensando na sensação de não ter produzido o suficiente cabe a reflexão: Teremos muito mais resultado quando as INDIVIDUALIDADES se estiverem se mexendo quase que simultâneas. Estamos falando de um mundo que pensará em massa.
Enquanto isso, CONHEÇA-TE A TI MESMO, ou seja, vai cuidar da sua vida.
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


