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As flores

Por Entre linhas 19 de abril de 2016 2 min de leitura

Hoje acordei com vontade de mandar flores. Para o vizinho com o qual nunca troquei meia dúzia de palavras. Para aquela colega de trabalho mal-humorada e encrenqueira. Para o guarda de trânsito que me multou só porque parei por instantes em fila dupla. Para aquela atendente da padaria que insiste que meu nome é Paula e nunca me dá o troco certo. Hoje acordei com vontade de mandar flores para aquele professor da pós, que desde o primeiro dia, decidiu ser meu inimigo mortal. Para a secretária do meu analista que quer saber todos os detalhes da minha vida.

Quero mandar flores, ramalhetes, verdadeiros jardins para cada pessoa que cruzou o meu caminho trazendo um pouco de suas mágoas, de suas frustrações, angústias, raivas, melancolias, inveja, perdas, decepções. Que com suas energias negativas e cargas pesadas, me contaminaram um pouco ao longo da minha trajetória. Quero flores. Muitas delas. Com seus perfumes, cores e texturas diferentes. Quero plantar um jardim e em cada canto, enterrar todo o negativismo. Todos os maus exemplos. Toda a discórdia. Toda a agressividade. Todo o desamparo. Toda a falta de perdão. Toda incompreensão. Quero mandar flores para que cada um entenda que o plantio é necessário e a colheita, algo irremediável. Por isso, o que hoje plantamos, certamente é o que colheremos amanhã. Então, é hora de deixar os espinhos de lado, porque as flores, com a beleza do efêmero, ensinam que sempre é tempo para recomeçar. A cada manhã, em diferentes tonalidades, formatos e perfumes.

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