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A tragédia do Aedes Aegypti gerando várias doenças é antes de tudo ambiental |
Dengue, zika, chikungunga, microcefalia: além do mosquito transmissor elas têm em comum a causa ambiental…A falta de saneamento básico nas áreas urbanas e natureza agredida no meio rural contribuem para a overdose de casos de dengue e das outras doenças similares, já virando uma praga no Brasil. Os números, as notícias e os levantamento mostram que hoje dos 48 municípios com risco de surto da doença no verão 62,5% têm menos da metade das casas com acesso a saneamento adequado. Nas regiões mais povoadas do país, o índice do aumento destas doenças é muito mais expressivo do que em regiões com maior vegetação nativa ou com um mínimo de equilíbrio no seu ecossistema, onde há predadores e inimigos naturais do Aedes aegypti. Para exemplificar esta situação, o livro do pesquisador José Alves Siqueira, “Flora das Caatingas do Rio São Francisco” documenta o processo de agressões e da extinção mesmo do Velho Chico, símbolo do interior do Brasil, o que também por sua vez dimensiona o alcance desta praga. Comparado com 200 anos atrás, restam apenas 4% da vegetação das margens do Rio São Francisco. Desprovidas de cobertura verde, elas sofrem mais com a erosão, que assoreia o rio em ritmo acelerado. Os solos apresentam altos índices de salinização e os açudes ficam com a água salobra. Aumentam as áreas de desertificação. O rio ícone do interior do país está praticamente inviável. Espécies foram extintas e muitos ecossistemas estão profundamente alterados. Isso também explica a disseminação de doenças transmitidas por vetores, especialmente nas áreas urbanas, mas também em zonas degradadas do meio rural e das últimas florestas, o que facilita várias sequelas socioambientais e de saúde pública, inclusive o aumento dos criadouros do mosquito e a incidência de várias doenças, um problema que já virou um drama e está se tornando a nova tragédia brasileira. E mais uma vez ela é também de causa também ambiental.




