Após mais de cinco horas de negociações, o Comando Nacional dos Bancários conquistou o abono total dos dias parados, um dos itens de queixa da categoria, que indignada, não aceitava a compensação de todos os dias referentes à paralisação, conforme proposto inicialmente pela FENABAN – Federação Nacional dos Bancos nesta quarta-feira, 05. No entanto, ao contrário do que se especula, a greve dos bancários continua até que os mesmos decidam em assembleias, pelo fim das mesmas. Isto porque o impasse entre a proposta apresentada pela FENABAN e as exigências da categoria continua. Portanto, reuniões por todo o país devem acontecer nesta quinta-feira, 06, para que os profissionais decidam os rumos do movimento grevista.
Na rodada de negociações que teve início no final da tarde desta quarta-feira, 05, e seguiu noite adentro, a Federação Nacional dos Bancos apresentou proposta de reajuste para 2016 de 8% mais abono de R$ 3.500,00. No vale alimentação o reajuste seria de 15% e de 10% no vale-refeição e no auxílio creche-babá. A Licença-paternidade passaria para 20 dias. Sobre emprego, seria criado um centro de realocação e requalificação. E para 2017, a proposta prevê reajuste de acordo com a inflação (INPC) mais 1% de aumento real para os salários e em todas as verbas. Esta seria a proposta final dos bancos, sem chance de contraproposta.
Os trabalhadores reivindicam reajuste de 14,78%, sendo 5% de aumento real, considerando inflação de 9,31%; participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários acrescidos de R$ 8.317,90; piso no valor do salário-mínimo do Dieese (R$ 3.940,24), e vales alimentação, refeição, e auxílio-creche no valor do salário-mínimo nacional (R$ 880). Também é pedido décimo-quarto salário, fim das metas abusivas e do assédio moral.
Atualmente, os bancários recebem piso de R$ 1.976,10 (R$ 2.669,45 no caso dos funcionários que trabalham no caixa ou tesouraria). A regra básica da participação nos lucros e resultados é 90% do salário acrescido de R$ 2.021,79 e parcela adicional de 2,2% do lucro líquido dividido linearmente entre os trabalhadores, podendo chegar a até R$ 4. 043,58. O auxílio-refeição é de R$ 29,64 por dia.
Atendimentos
Apesar de os serviços de internet banking e caixas eletrônicos funcionarem durante a greve dos bancários, alguns atendimentos ficam mais complicados como sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou receber benefício social na Caixa Econômica Federal, sem o Cartão Cidadão. Mesmo com a paralisação dos bancos, as datas de vencimento de contas não são alteradas. Em caso de atrasos, o cliente será e pode até mesmo ter seu nome enviado aos serviços de proteção ao crédito, dependendo do atraso.
Para fazer o pagamento de contas, os bancos orientam que os usuários procurem caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes bancários. Nesses locais, é possível fazer normalmente o pagamento de contas de água, luz, tributos, boletos de cobrança, prestação de habitação e saques de conta-corrente.
De acordo com a Caixa, é possível fazer saques de até R$ 1,5 mil do FGTS em lotéricas, correspondentes do Caixa Aqui, com o Cartão Cidadão. Pelos terminais eletrônicos (caixas automáticos e salas de autoatendimento), é possível fazer os saques com o cartão magnético. No caso de benefícios sociais, pode ser feito o saque de todo o valor disponível com o Cartão Cidadão ou o cartão do benefício. O mesmo procedimento se aplica à retirada da aposentadoria.
Na internet ou com ajuda do celular, os clientes podem realizar transações bancárias, como transferência entre contas, TED e DOC, pagamento de faturas, de boletos, de prestação habitacional e de contas de água, luz, telefone e tributos, além de ser possível a contratação de CDC, Cheque Especial, Cartão de Crédito, título de capitalização para clientes pessoa física com limites aprovados.
Clientes pessoas jurídicas podem contratar empréstimos para capital de giro por meio da internet, desde que tenham limites pré aprovados. Nesse canal, também podem fazer pagamentos, transferências, DOC, TED e pagamento de faturas, antecipar recebíveis, pagar folha de pagamentos, entre outros.
A paralisação
Nesta quarta-feira, 05, a greve dos bancários completou 30 dias, e já é a maior paralisação da categoria desde 2004, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Só nas 17 cidades abrangidas pelo Sindicato dos Bancários de Franca, 37 das 89 agências estão paradas, o que mobiliza 400 dos 1,2 mil funcionários da categoria, segundo Rogério Marques, secretário de comunicação social da entidade.
Estimativas dos sindicatos dos bancários nos escritórios regionais de Ribeirão Preto, Franca e Barretos, que juntos respondem por 75 cidades, apontam que o movimento salarial tem adesão de 4,7 mil – ou 64% – dos 7,4 mil profissionais do setor.



