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Saúde

Ansiedade, estresse e cansaço aumentam o risco de Mal de Alzheimer

Por Cesar Colleti 23 de janeiro de 2019 3 min de leitura

Um estudo feito pela Universidade de Copenhague, em
parceria com o Centro Nacional de Pesquisa para o Ambiente de Trabalho e o
Centro Dinamarquês de Pesquisas sobre Demências, constatou que problemas como
ansiedade, estresse e cansaço podem aumentar em até 40% o risco de doenças
neurológicas como o Alzheimer.

O sofrimento emocional descrito na pesquisa se
refere a um estado conjunto de ansiedade, depressão e irritabilidade. A
exposição em excesso aos fatores que desencadeiam essas reações provoca a
chamada exaustão vital, condição na qual o paciente experimenta as sensações de
fadiga, desânimo e estresse constantemente e numa intensidade crescente.

De acordo com os autores do trabalho, quando esse
processo ocorre por volta da quinta década de vida, ele potencializa o
surgimento de demências, como a doença de Alzheimer.

Para chegar a essas conclusões, foram
utilizados dados de 6.807 dinamarqueses que, entre 1991 e 1994, preencheram um
formulário, no qual deveriam responder se sentiam algum dos 17 sinais de
exaustão vital (veja a lista completa abaixo). A média de idade deles era de 60
anos e ninguém havia sido diagnosticado com doenças relacionadas a falhas de
memória e de raciocínio.

Os experts ainda levaram em conta
fatores como sexo, estado civil, estilo de vida (tabagismo, abuso de álcool,
obesidade e sedentarismo), baixo nível educacional e comorbidades (diabetes,
doenças cardiovasculares e transtornos psiquiátricos), de modo que eles não
influenciassem o resultado final.

A mente desequilibra o cérebro

Ao final da pesquisa, foi
constatado que a cada item do questionário que era respondido afirmativamente
pelos voluntários lá atrás nos anos 1990, a probabilidade de a pessoa
desenvolver demência em 2016 crescia em 2%. “Participantes que mencionaram de
cinco a nove sinais de exaustão vital tiveram um risco 25% superior em relação
àqueles que não apresentaram nenhum. Para quem manifestou de dez a 17 sintomas,
o número chegou a 40%”, aponta a cientista que liderou o estudo Sabrina
Islamoska, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhague.

Os pesquisadores acreditam que a alta produção de
cortisol, hormônio liberado em situações estressantes, explica essa relação.
Como o cérebro passa a ficar em constante estado de alerta, o processamento de
novas informações é dificultado, contribuindo para a degeneração das funções
cerebrais.

Além disso, há o fato de que os problemas
psicológicos prejudicam o sistema cardiovascular, o que atrapalha o transporte
de nutrientes e oxigênio para os neurônios funcionarem a contento.

Segundo Sabrina, o resultado é importante para
alimentar o debate sobre o impacto do sofrimento mental nesse período da vida e
suas repercussões na saúde mais para frente. “O estresse pode ter consequências
graves e prejudiciais não apenas para o cérebro, mas para a saúde em geral.
Nosso estudo indica que podemos ir mais longe na prevenção da demência”,
conclui a especialista.

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