
Ele sempre soube o que não queria para sua vida. Por isso, entre os passos rápidos que o levavam pelos caminhos afora desde criança, ele procurava se esquivar de tudo que pudesse tirá-lo de sua rota rumo à felicidade. Mas houve um momento em que ele se deixou apaixonar pelo impossível. Se parecia completamente prático, certinho, funcional, ele corria léguas. Ele queria se deixar levar pelo gosto doce das aventuras, permitir o aflorar da essência da liberdade que muitas vezes não cabe no entendimento da maioria.
Mas o impossível é desafiador. Ele requer sabedoria e muitas vezes, grandes doses de paciência. Eis uma enorme e difícil tarefa para ele: ter paciência. Ainda mais ele, que não conseguia esperar cinco minutos para ser atendido numa consulta médica. Então ter paciência era uma barreira a ser vencida por ele. No entanto, o impossível e o inconseqüente estavam ali, batendo à sua porta. Eles eram maiores e mais fortes que sua impaciência. Até porque, ele foi percebendo que assim como as maravilhas fugazes da paixão, as coisas corriqueiras e habituais também têm um quê de efemeridade. Partem se avisar, deixando para trás apenas o silêncio e os desejos amparados no agora. E o que o tempo tem pedido para ele é simples: deixe-se levar pela sinfonia suave da vida, mesmo quando os acordes parecem não acompanhar a letra da música. Perceba que tudo o que te transforma é uma coisa de sempre. Está dentro de você. Algumas se desbotam com o tempo e viram lembranças. Outras se tornam o caminho – nem sempre fácil -da transformação.
Fácil ou difícil. Certo ou errado. Tudo tem sua razão de ser e mesmo quem acredita saber exatamente o que não quer para sua vida, às vezes se vê surpreendido com as mudanças. Hoje, ele sabe disso. E, todos os dias, agradece a Deus pela oportunidade de mudar, sempre que for necessário.


