
Mentiras, mentiras, mentiras. Porque sempre alguém tem que mentir? Lia não conseguia entender isso. Entrava e saía ano. Primavera, outono, verão. E as mentiras estavam sempre ali. Esparramadas sobre a mesa. Disfarçadas num saboroso café da manhã. Numa noite de amor. Num passeio sob a luz da lua. Numa leitura do jornal ao meio dia. Nas entrelinhas, era possível enxergá-la. Fria, cruel. Mas ainda assim, Lia não conseguia entender o porquê delas estarem ali. Buscava no baú de sua vida, as respostas daquilo que estava vivendo. Eco. Vazio. Escuro. Não encontrou nada. Ou melhor. Encontrou retalhos daquilo que fora um dia. Linda, alegre, intensa, vibrante, brilhante. De brilho mesmo só restou a lantejoula da fantasia que usou naquele Carnaval… Aquele que mudou sua vida para o agora. Imerso


