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BLUES FOR IKE

Por Cesar Colleti 25 de janeiro de 2016 3 min de leitura

​Recebi um vídeo de Django Reinhardt, o grande guitarrista cigano, de presente do meu amigo Gustavo Lopes Ike no final de semana. Procurava um tema para a coluna desta semana e pimba! Django! Quem poderia ilustrar melhor a incrível capacidade de superação do ser humano do que Django? Um gênio musical que influenciou os grandes guitarristas que vieram na segunda metade do século passado, incluindo-se aí jazzistas, bossistas e rockers. Algumas escalas que Hendrix usou, foram usadas antes por Django. Sua origem cigana, nômade, sempre superou as normas de etiqueta impostas pela sociedade e como escreveu Brian Rust no encarte do disco da coleção Gigantes do Jazz da editora Abril, “marcavam-se sessões de gravação, compromissos em lugares públicos e outras obrigações de trabalho, mas nenhum dos interessados poderia jurar que Django Reinhardt os honraria com sua presença”.

Mas eu falava em superação e Django Reinhardt, até os vinte anos, não tinha morado em uma casa de tijolos. Já era um exímio instrumentista quando o vagão em que morava com sua mulher pegou fogo graças a um toco de vela que caiu entre flores presas com celuloide que ela pretendia vender no dia seguinte em frente ao cemitério. Ambos escaparam com vida, mas Django sofreu graves queimaduras no lado esquerdo do corpo e perdeu os movimentos de dois dedos da mão esquerda, o anelar e o mínimo. Quando um guitarrista não pode contar com dois dos quatro dedos usados para tocar, presume-se que sua carreira acabou, seria impossível continuar. Mas aí é que vem a melhor parte dessa estória: ele não só superou a deficiência como se tornou um fenômeno criando uma técnica própria, músico virtuoso que ganhou o respeito do mundo. Veja um detalhe de sua técnica nesta foto:

A
recuperação foi lenta e sofrida, mas lá estava Django tocando com o polegar,
indicador e médio com a orquestra de Duke Ellington no Carnegie Hall em 1946 e fazendo história. Vejam os dois na foto
abaixo:

No
vídeo que recebi do Ike, ele toca com o Quintette Du Hot Club de France, e divide
os solos com o incrível violinista Stephane Grapelli.

Neste link abaixo, ele interpreta Blues for Ike, numa gravação de 1953, o ano em que ele faleceu e que posto em homenagem ao artista, grande fotógrafo e mentor do programa Jazz for Jazz, além de muito bom amigo, o Gustavo Lopes Ike.

E viva a força de vontade e a capacidade de superação de alguns seres humanos cheios de luz.

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*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras.

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