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Carlos Brickmann

O samba do saci

24 de setembro de 2016 4 min de leitura

​Ao contrário do Governo anterior, que não sabíamos por onde andava (ainda bem, porque quem sabia não era cumpanhêro, mas comparsa), temos agora um Governo que indica todos os dias o que vai fazer. Às segundas, quartas e sextas, anuncia providências; às terças, quintas e sábados, se desmente, ou adia o que era urgente. Aos domingos imagina novos planos.

Não dava para aguentar o déficit de R$ 170 bilhões, herança de Dilma. Era urgente baixá-lo. O Governo deu um aumentão para grupos poderosos do funcionalismo, gastando bilhões para inteirar o déficit de R$ 170 bilhões. Erraram na conta e o buraco ficou maior. Aumentou-se a previsão de capitais que serão repatriados. Só que o dinheiro ainda não existe.

Todos os partidos estavam livrando quem usou Caixa 2. Alguém descobriu, o projeto morreu, o Governo informou que jamais permitiria o golpe baixo – que, entre outros, era articulado pelo ministro Geddel.. 

Alguém ouviu o ministro Meirelles dizer que haveria corte de juros em 2015. Tanto disse que algum indiscreto ouviu. Mas Meirelles desmentiu.

Diz o Governo que a Previdência, com déficit crescente (em 2015, R$ 148,8 bilhões) ou é reformada com urgência ou quebra o país. E, como já estamos em setembro, o problema urgente ficou para o ano que vem.

Todos os cidadãos, democraticamente, podem opor-se ao Governo ou apoiá-lo. Em nosso país peculiar, isso só depende do dia da semana.

Decadence avec elegance

Lula está investindo em sua imagem internacional. O evento que promoveu em Nova York, aproveitando a Assembleia Geral da ONU, para criticar o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato (pelo menos na parte que lhe cabe no latifúndio das investigações), foi caprichado. De acordo com o respeitado repórter Maurício Lima, de Veja, “foram servidos canapés de lagosta e camarão” (http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line) “acompanhados por taças de espumante”. Sai caro.

Bateu, cortou

Da língua afiada do jornalista Cláudio Humberto, analisando a conjuntura (www.diariodopoder.com.br): “Pensando bem, o tour de Lula para apoiar candidatos a prefeito do PT começa pelo Nordeste, mas tem tudo para acabar em Curitiba.”

Gleisi está diferente

A senadora Gleisi Hoffmann, do PT paranaense, estava loira há tanto tempo que sua antiga companheira de partido Dilma Rousseff só a chamava de “loirinha”. Mas os problemas de imagem dos políticos petistas, insultados em aeroportos, restaurantes, até no Exterior (Aloízio Mercadante foi vaiado em Portugal), levaram-na a mudar de imagem: pintou os cabelos de castanho. Línguas ferinas, lembrando a definição ideológica do ex-governador Leonel Brizola, tentaram apelidá-la de Socialista Morena. Este colunista prefere lembrar Carlos Drummond de Andrade, no poema que, mudando a cor dos cabelos, é a cara de Gleisi: Também já fui brasileiro:

“Eu também já fui brasileiro/moreno como vocês (…)/ Eu também já tive meu ritmo,/  Fazia isso, dizia aquilo/ E meus amigos me queriam,/ meus inimigos me odiavam./ Eu irônico deslizava/ satisfeito de ter meu ritmo./  Mas acabei confundindo tudo./ Hoje não deslizo mais não,/ não sou irônico mais não,/ não tenho ritmo mais não.”

Como acontece

Ninguém deve acreditar na história de que Eike Batista acordou com vontade de expiar eventuais pecados, pegou o telefone, ligou para o pessoal da Lava Jato e entregou espontaneamente o ex-ministro Guido Mantega. Eike teve excelentes motivos para decidir depor mesmo sem ser intimado.

As acusações

No seu depoimento, a principal denúncia de Eike foi contra Mantega. Acusou-o de ter pedido a ele, Eike, R$ 5 milhões, que lhe foram entregues pela empresa OSX, de construção naval; mais 2,5 milhões por intermédio de agências de publicidade que atendiam a outras empresas de seu grupo.

As investigações

Dizem investigadores da Polícia Federal que Mantega pediu diretamente ao comando de uma empresa privada que repassasse recursos a um partido político da situação para pagar dívidas de campanha. “Estes valores teriam como destino pessoas já investigadas na operação e que atuavam no marketing e propaganda de campanhas do mesmo partido”, diz a PF.

A guerra interna

O PMDB federal enfrenta o risco de cisões. Motivo? Acertou: dinheiro. Moreira Franco, homem de confiança de Temer e presidente da Fundação Ulysses Guimarães, se negou a repassar recursos da fundação para a campanha. Em represália, o PMDB não entregou à fundação, neste mês, os habituais 20% do dinheiro (público) que recebe do Fundo Partidário.

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