O título sugere uma breve passagem pela vida de seu “ponto de partida” ao “ponto final”. E no meio disso tudo haja dor.
Um tema que tem chamado atenção por diversos motivos. Vivemos uma Olimpíada e atleta sofre pela vitória. Antes, durante e depois. O estado islâmico se espalha. O fanático sofre, o povo sofre, as forças armadas parecem que não, mas sofrem. As corporações não conseguem se reinventar e se perdem meio a técnicas para lidar com geração y, z, millenials, entre outros. As empresas sofrem. Sofrem com a política, com a Economia, com os relacionamentos, com os desafios.
Dificilmente haverá uma esquina em um “Admirável mundo novo” onde não haverá algum tipo de sofrimento de “tocaia”.
Há criatividade no sofrimento?
Sem demagogia, “auto-ajudismo” ou falso otimismo podemos afirmar sem exceção: EM TODAS AS SITUAÇÕES COMPLICADAS reside uma semente.
Um atleta treina todos os dias, com ou sem paixão, muitas vezes com ou sem saúde, com ou sem alegria, com ou sem dinheiro. Muitos desistem.
Quando exaustos em qualquer aspecto, físico ou mental, espiritual ou emocional alguma coisa destaca àquele que suporta, àquele que aguarda.
Contextualizar é preciso:
O sofrimento vem de onde?
- De um luto?;
- De uma separação?;
- De uma demissão?;
- De uma discussão?;
- De uma derrota?;
Ele vem de tantas direções. Circunstanciais, naturais ou provocadas.
Luto é luto, mas ouvi uma vez em um velório de uma figura célebre de nossa cidade que tenho orgulho de ter como parente: Velório! Ah velório. Aqui é lugar de aprender a viver. Não há reflexão mais profunda e prática na vida do que a morte. Inevitável. Fere corações, encurta distâncias, refaz laços, muda comportamentos.
Mas e aí? Suporto esta relação escrava com meu trabalho ou arrisco? Vai doer, mas talvez seja a hora de pedir demissão, aumentar a dor, enlanguescer a alma e fazer com que nela caiba mais mundo, mais possibilidades.
E este namoro? Que dia sim e “dia também” é interpelado por discussões crises e chateações. Talvez seja hora de aumentar a dor, enlanguescer a alma e fazer com que nela caiba mais mundo, mais possibilidades. Termine já!
Sobre qualquer situação o mundo nos brindará com um banquete de escolhas. Até que ponto podemos suportar aquela dor? Até quando prorrogaremos a decisão de aumentar a dor, enlanguescer a alma e fazer com que nela caiba mais mundo, mais possibilidades.
Talvez a maior patologia social seja a insatisfação crônica, de buscar cenários sem dor nenhuma. Da maternidade ao velório há um tempo que corre sem misericórdia desafiando os seres humanos a serem mais FORTES. A deixarem seu LEGADO. Resistir é preciso.
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


