
Dizem que o segredo para alcançar o equilíbrio verdadeiro é seguir o caminho do meio, mas como em tempos como esses onde a pressão é enorme e constante? E não digo apenas por ser mulher, pois acredito que homens, crianças e adolescentes também sofrem as pressões cotidianas, cada um a seu modo.
Vemos hoje em dia, crianças “pressionadas” a serem cada vez melhores e precoces, tendo suas infâncias praticamente roubadas porque é preciso começar a caminhar mais cedo, a falar mais cedo, ser o melhor aluno, o melhor jogador de basquete ou futebol, a melhor dançarina de balé, é preciso ocupar quase todo o tempo disponível com aulas extracurriculares, dessa forma as crianças estarão protegidas contra as agruras do mundo e, de quebra, acabam por desenvolver todo o seu potencial. Será mesmo?
Longe de criticar a maneira de criação de cada mãe/pai, até porque sou mãe e a minha forma de educar não é melhor que nenhuma outra, apenas diferente. Transmito os valores que acredito. Mas o que percebo é que nossas crianças estão se tornando ansiosas muito cedo, desenvolvendo problemas de adultos muito cedo… E se tornando adultos e problemáticos muito cedo…

Como adultos, precisamos trabalhar pois temos contas a pagar, precisamos nos atualizar constantemente para mantermos nossos empregos que estão a cada dia mais escassos, precisamos pensar e arcar com as férias, nossas e das crianças, com as despesas e manutenção da casa, do carro, manter uma vida social para nós e para as crianças, sermos profissionais competentes, mães/pais presentes, maridos/esposas presentes e… ufa! É realmente muita coisa! E, na maioria das vezes, sequer conseguimos nos desligar dessa massacrante rotina diária, não paramos para respirar com um pouco mais de tranquilidade, não temos tempo para nos ouvir com mais atenção, ouvir nosso corpo reclamar do cansaço e stress, ouvir nosso coração reclamar que não é esse o caminho que deveríamos estar seguindo.
E toda essa pressão vai acabando por transformar emoções e pensamentos não trabalhados, muitas vezes em doenças. Nós adoecemos nosso corpo quase sem perceber e só vamos procurar ajuda quando a situação está crítica. Realmente o antigo ditado de que é mais fácil prevenir do que remediar é correto.
Hoje são inúmeros os casos em consultórios de terapeutas, holísticos ou não, em busca da cura da própria alma para que o mesmo se reflita em seu corpo. Bom para nós, terapeutas? Não, porque sabemos que, após o sucesso do tratamento, a chance de reincidir no mesmo círculo vicioso é muito grande. Isso quando não se percebe a melhora e já abandonam o tratamento por se julgarem “curados”.

A cura, a melhora, a plenitude é um processo longo e nem sempre fácil, já que exige de nós o abandono de velhos hábitos, pensamentos e sentimentos nefastos, crenças erradas. Mas é um processo extremamente gratificante e enriquecedor. É quase como abrir uma janela num dia ensolarado depois de um longo período de chuva.
Paz e luz!
*Esta coluna é semanal e atualizada aos sábados


