sábado, 13 jun 2026 ⛅ Franca 23°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%
zero

Desmatamento, queimadas, barragens, enchentes e secas na Amazônia

Por Cesar Colleti 20 de fevereiro de 2016 6 min de leitura

​Importantíssimo na questão das surpreendentes secas ou das enchentes amazônicas é o conteúdo da pesquisa de Patrícia Pinho, “Dinâmicas socioecológicas complexas nos eventos extremos na Amazônia”, ela que é professora de Ecologia no Instituto de Astronomia, Geofisica e Ciência Atmosférica da USP. Os fatores que alteram o clima da Amazônia são diversos, mas principalmente os provocados por queimadas e desmatamento, contribuindo para que venham depois a ocorrer longos períodos de estiagem em algumas regiões como neste momento acontece ao longo do Rio Tapajós. De acordo com uma outra pesquisa, de Paul Baker, professor da Universidade de Duke, da Carolina do Norte nos Estados Unidos, o aquecimento global também está entre as causas de efeitos extremos do El Niño, que neste ano também provoca altas temperaturas em alguns pontos do norte brasileiro. Estes fatores somados fazem com que o clima fique mais seco e a temperatura sofra aumentos entre 6 a 8ºC. Por sua vez, o climatologista José Marengo, que atua no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao observar o histórico de chuvas na Amazônia, concluiu que as fortes variações culminam em secas severas que aconteceram antes também nos anos de 2005 e 2010: “Extremos climáticos de chuva, temperatura e vento podem ter um impacto importante na vida da natureza e das pessoas”, explica o climatologista. Ainda segundo o seu estudo, a região amazônica, por sua grande extensão territorial, possui climas diferenciados: “De norte a sul, tem havido uma grande variabilidade espacial e temporal das chuvas e nesse contexto há eventos extremos de secas ou enchentes, trazendo assim consequências ambientais e socioeconômicas impactantes para variadas atividades, como a agricultura, transportes, recursos hídricos, saúde, habitação, toda a condição de vida dos amazonenses.

Nesse momento está acontecendo uma seca extrema na região do Rio Tapajós na Amazônia

Apesar de fazer parte da maior bacia hidrográfica do planeta, a Amazônia não está livre da seca. 38 municípios do Amazonas chegaram a decretar situação de emergência, de acordo com informações da Defesa Civil do estado. Foram mais de 62 mil famílias afetadas pela estiagem e pelo baixo nível dos rios. O número de árvores e animais mortos foi muito alto, tornando o cenário desolador. Para os moradores das localidades atingidas pela seca, seja em 2010 ou agora, os prejuízos são os maiores de todos os tempos. 

Queimadas e desmatamentos estão entre as causas mas há lá outros grandes problemas também

.As barragens na Amazônia só favorecem grandes negócios (como o alumínio) 

Segundo análise do especialista Philip M. Fearnside, no site amazoniareal,  a fundição de alumínio consome grandes quantidades de energia elétrica e isso contribui diretamente para impulsionar a construção de barragens em todo o mundo. Este detalhe explica também porque se planeja construir dezenas de hidrelétricas na Amazônia brasileira e em países vizinhos. Os benefícios são muito menores do que é retratado, em parte, porque a eletricidade é exportada em produtos eletrointensivos, como o alumínio, criando pouco emprego para a população local. As barragens afetam de maneira violenta o equilíbrio socioambiental e toda a vida da população. A exportação de alumínio oferece um exemplo bem claro sobre a urgência de se repensar a política energética na Amazônia. Os impactos de barragens têm sido sistematicamente subestimados, eles incluem o deslocamento de população, gerando a perda de meios de subsistência (especialmente a pesca), perda de biodiversidade e emissões de gases de efeito estufa.  Historicamente, no planeta, as barragens têm sido construídas nos principais rios dos países industrializados e a combinação da diminuição da disponibilidade de locais com potencial hidrelétrico na América do Norte e Europa com a diminuição da tolerância do público nessas áreas para aceitar grandes impactos no ambiente e na população, tem levado a um deslocamento da atividade de construção de barragens para os países em desenvolvimento, como no caso, no Brasil e na Amazônia também. Até 2014, existiam 37.641 barragens do mundo com cerca de 15 m de altura. Philip Fernside alerta então sobre o aumento de implantação de barragens na China e na região do Himalaia, a construção está aumentando cada vez mais e há planos para o futuro de enormes barragens em áreas tropicais na América Latina, como na Amazônia ou no Pantanal, na África e sudeste da Ásia  A fundição de alumínio, uma atividade que consome grandes quantidades de eletricidade, também vem se deslocando progressivamente para estas regiões Terra. As consequências ambientais e sociais são enormes nos locais onde as grandes barragens são construídas. Exemplos icônicos incluem as barragens de Narmada na Índia, de Três Gargantas na China e as barragens planejadas Rio Mekong no sudeste da Ásia, além das que estão planejadas ou em execução no Brasil. As barragens têm benefícios, bem como impactos, mas são tão grandes os impactos que eles devem nos alertar e nos encaminhar para uma mudança na estrutura energética, com a implantação de parques eólicos e usinas solares, ainda mais que as condições de nossa natureza favorecem estas fontes limpas de energia, com muito menos impactos socioambientais, mais econômicas, mais ecológicas, mais sustentáveis. Temos que ir à luta na mídia e no movimento ecológico, científico e de cidadania com urgência também por esta mudança energética.

Fontes limpas de energia e com menos sequelas como a Eólica e a Solar precisam ser a prioridade
Solar ou Eólica, as energias limpas ajudam a restaurar a ecologia perdida no país, no planeta

Amanhã, aqui neste microblog, mais informações para você, esteja você onde estiver, paz, Padinha!

Leia também