Importantíssimo na questão das surpreendentes secas ou das enchentes amazônicas é o conteúdo da pesquisa de Patrícia Pinho, “Dinâmicas socioecológicas complexas nos eventos extremos na Amazônia”, ela que é professora de Ecologia no Instituto de Astronomia, Geofisica e Ciência Atmosférica da USP. Os fatores que alteram o clima da Amazônia são diversos, mas principalmente os provocados por queimadas e desmatamento, contribuindo para que venham depois a ocorrer longos períodos de estiagem em algumas regiões como neste momento acontece ao longo do Rio Tapajós. De acordo com uma outra pesquisa, de Paul Baker, professor da Universidade de Duke, da Carolina do Norte nos Estados Unidos, o aquecimento global também está entre as causas de efeitos extremos do El Niño, que neste ano também provoca altas temperaturas em alguns pontos do norte brasileiro. Estes fatores somados fazem com que o clima fique mais seco e a temperatura sofra aumentos entre 6 a 8ºC. Por sua vez, o climatologista José Marengo, que atua no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao observar o histórico de chuvas na Amazônia, concluiu que as fortes variações culminam em secas severas que aconteceram antes também nos anos de 2005 e 2010: “Extremos climáticos de chuva, temperatura e vento podem ter um impacto importante na vida da natureza e das pessoas”, explica o climatologista. Ainda segundo o seu estudo, a região amazônica, por sua grande extensão territorial, possui climas diferenciados: “De norte a sul, tem havido uma grande variabilidade espacial e temporal das chuvas e nesse contexto há eventos extremos de secas ou enchentes, trazendo assim consequências ambientais e socioeconômicas impactantes para variadas atividades, como a agricultura, transportes, recursos hídricos, saúde, habitação, toda a condição de vida dos amazonenses.
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| Nesse momento está acontecendo uma seca extrema na região do Rio Tapajós na Amazônia |
Apesar de fazer parte da maior bacia hidrográfica do planeta, a Amazônia não está livre da seca. 38 municípios do Amazonas chegaram a decretar situação de emergência, de acordo com informações da Defesa Civil do estado. Foram mais de 62 mil famílias afetadas pela estiagem e pelo baixo nível dos rios. O número de árvores e animais mortos foi muito alto, tornando o cenário desolador. Para os moradores das localidades atingidas pela seca, seja em 2010 ou agora, os prejuízos são os maiores de todos os tempos.





