
Hoje pude notar com bastante clareza a constelação que havia escondida em teu olhar. Vi tuas estrelas, teus cometas, teu céu azul. Também pude ver a hora em que aquelas nuvens se formaram, de mansinho, no canto do olho, como quem não quer nada. Observei seu movimento de aproximação da íris, seu acinzentar rápido até sua explosão naquela lágrima de chuva. Nesse momento, raios e trovões tomaram forma. Nesses olhos de ressaca, fluxo e refluxo, me tragando de mar a mar, transbordo de vontades. E os meus, marinos, miram nos seus o balanço das ondas e o sopro dos ventos que então guiam rumos. Náutica, eu só penso em navegar. E, a aproar, navego. Sobre essas águas inquietas, desejo. Quero sol a pino queimando a pele, sargaço ao alcance das mãos, maresia enchendo pulmões. Quero todas as sápidas experiências do sal – sal da Terra, mas não na terra.
De fato, falta-me um certo anseio por terra firme. Em alto-mar, sou mais feliz. Deixo-me ir e vir… E quando volto, é sempre como se fosse a primeira vez. E é nos seus olhos que fito a bússola desse imenso mar azul que me faz ver que não importam as distâncias, o tempo… Meu porto seguro estará sempre nos mesmo lugar.


