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Entre um “se”

Por Entre linhas 29 de novembro de 2015 3 min de leitura

Há sempre um se nas nossas vidas, uma ambiguidade própria dos seres que têm a capacidade da escolha, dos que procuram estar e alcançar, o que não tem, o que não sentem, o que provavelmente sabem que jamais conseguirão ou serão.
A verdade de cada homem é momentânea, perene, simples, aberta… Mas ao mesmo tempo complexa, fechada, sem forma de medir horizontes, sem réguas que sejam mais que referência, mas medidores… Ou até mesmo, diretrizes.
À minha frente, uma estrada imensa chamada pensamento. Por isso sou mais que a soma dos átomos que me fecham neste objeto chamado corpo. Mais que as células que pulsam uma a uma numa dança que fazem do organismo uma engrenagem perfeita. Mas é do corpo que trato, é dele e nele que vivo e desejo e me excito e sofro. E desta grande chatice não tenho forma de me livrar, quanto muito – olhando os céus e descobrindo a inexistência, a periclitante instabilidade e fragilidade, a imperfeição, o desejo de não ser o que olho, quando me fito num qualquer reflexo.
Desejo ser Deus infinito, onde me perpetue e me entronize e apenas reste o que quero ter de bom, magnífico, sublime. Procuro infinitamente a felicidade, colocando em cada lugar a marca do que realmente quero, do que realmente sinto como essencial para minha vida, para minha alma. E se o que quero, não é propriamente para mim, encontro nesses gestos, a suprema felicidade de optar pelo mais condicionante dos se, quando a tristeza, a opção, o abandono, o meu desmembramento, é a felicidade do sorriso de quem amo, de optar entre mim, e quem construo na minha liberdade de amar.
O se é a nossa estrada, é a liberdade dos que encarcerados são mais livres que os indigentes, dos que sonham a morte como recompensa de vidas mal vividas, dos seres enamorados, que sempre esperam mais que a luz do sol incidindo nos rostos já passados, das rugas que contam histórias envenenadas pelo futuro sempre a chegar.
O se é a derradeira forma de sorrirmos, sabendo que a escolha é nossa, mesmo quando tudo parece nos guiar para outra direção que não aquela apontada como a ideal. É a forma sublime de contrariar o destino, de escrevermos palavras que não estas, de nos deixarmos ir sem destino… E quem sabe, encontrar o verdadeiro significado do viver…

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