Na edição de outubro de 2013 de “Enfoque” (“Marcas III”) referi que “O conhecimento de um homem não pode ir além de sua própria experiência” (John Locke). A propósito, é bom lembrar Álvaro Lins, em “Jornal de Crítica” (5ª série, pág. 144): “…ser escritor exige antes uma experiência de vida e uma experiência de cultura, que não se adquirem com a improvisação, por mais hábil e brilhante que seja”. Fica claro que essas exigências (experiência de vida e cultura) condicionam e limitam tudo o que se abordar e registrar daqui por diante no panorama que segue sobre “Escrever”. Assim continuemos, simplesmente registrando o que estudiosos escreveram.
…É notável quão tardiamente na história de cada literatura a simplicidade é inventada. As primeiras tentativas de ser conscientemente literário, feitas por qualquer indivíduo, são sempre produtoras da mais elaborada artificialidade. Aldous Huxley.
…Joseph Anton [livro de memórias de Salman Rushdie] apareceu em algumas listas de Melhores [do ano de 2012], mas essas são obviamente escritas por pessoas que somente leram dez livros naquele ano e, portanto, têm que inclui-los todos. Jessa Crispin.
…Muitos dos melhores romances em todo o mundo têm finais ruins. Não quero dizer que o final é infeliz, ou do tipo de “volta-ao-trabalho”, ou no tom de “tudo-está-perdoado” (por exemplo, “Guerra e Paz” [de Tolstoi], “O Vermelho e o Negro” [de Stendhal], “A Suitable Boy” [de Vikram Seth]). O final é antiartístico; contraria o texto anterior. Joe Acocella.
…Quando escrevo, não penso na literatura: penso em capturar coisas vivas. Foi a necessidade de capturar coisas vivas, junta à minha repulsa física pelo lugar-comum (e o lugar-comum nunca se confunde com a simplicidade), que me levou à outra necessidade íntima de enriquecer e embelezar a língua, tornando-a mais plástica, mais flexível, mais viva. Guimarães Rosa.
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.


