Você já ouviu, ou talvez só escutou, sobre a razão de termos 2 ouvidos e uma boca. É para ouvir mais.
Você também já ouviu que existe uma grande diferença entre ouvir e escutar. Você está lendo este texto agora e escutando o barulho dos carros lá fora, mas sua atenção, pelo menos espero, está concentrada nestes breves conceitos descritos nas próximas linhas.
Você pode ter lido algum texto com título semelhante na internet ou em alguma revista, porém gostaria de imprimir neste, minhas impressões e versão particular.
Quem deve escutar mais? Eu ou meu líder?
Eu ousaria responder: O mais sábio. Se possível os dois.
A humanidade consumiu grande parte de sua existência ORGANIZANDO coisas, acontecimentos, trabalho e processos. Esta organização trouxe, em várias situações, favorecimento às castas criadoras, líderes da organização em questão. Assim foram com as tribos, com as nações, com os partidos políticos, ministérios, militares, religiões, seitas, grupos.
Diante de tantos desafios e de um nível de utilização tão pequeno do cérebro humano – não chega a 20% – comprovado cientificamente, é de suma importância que indivíduos se recolham, ampliem sua capacidade de pensar e reflitam sua inteligência em todos os níveis de suas ações. Assim como o povo também saiba que precisarão unir suas individualidades para concentrar poder contra desastres ambientais, políticos, econômicos, conflitos ideológicos e até disputas, não muito distantes, por água e comida.
Onde entram os ouvidos?
Eles são a ponte mais valiosa da comunicação desde o princípio dos tempos. Pense: Porque “Cinquenta tons de cinza” mexeu tanto com as mulheres e “O lobo de Wall Street” com os homens. Há de se entender que antes de qualquer meio veicular algum tipo de comunicação, o roteiro é pautado na capacidade que terá de despertar a atenção do público em questão.
Na publicidade existe uma disciplina que disseca uma propaganda mostrando em sua estrutura a construção de sentido, Semiótica é o seu nome. O contrário também pode ser feito dissecar o que as pessoas querem e podem entender da maneira mais clara o possível, para depois produzir a comunicação.
Desta forma o homem desenvolveu, de maneira espetacular, sua capacidade de falar, comunicar, gesticular, expressar, entre outros, com objetivo de arrancar suspiros, prender a atenção, convencer, persuadir, influenciar. Tudo isso, observando e ouvindo pessoas.
Hitler foi o primeiro a utilizar o rádio para recrutar os jovens alemães, mas não estamos aqui hoje para falar de ORATÓRIA e sim de ESCUTATÓRIA. A criatividade que mora aos lados. ESQUERDO E DIREITO.
Filtrar é necessário.
Ouvir vai além da capacidade de receber, através de sua audição, sons ou qualquer tipo de ruído. Isso é ESCUTAR.
Ouvir pede concentração mental nas palavras, gestos, tom da voz, seus múltiplos significados, intenções e objetivos. A ESCUTATÓRIA talvez, seja o processo que melhor interaja com todos os outros sentidos: visão, olfato, tato e paladar.
Porém, você não vai concordar com tudo, muito menos materializar aquilo porque passou a acreditar, porque talvez, tenha ideias melhores, ou vão contra seus ideais ou ainda, por mais que concorde, assume de maneira madura, que na sua vida, aquilo não vai funcionar.
Quando ouvir faz nascer algo.
O processo criativo mais é aquele introduzido com liberdade, mas isto, muitas vezes é transbordado para a prática de maneira meramente estética.
Relacionam liberdade com horário flexível, ir de chinelos ou levar o cãozinho para a ilha de trabalho.
Diante do desafio de encontrar a cura para uma doença até então incurável por exemplo, chegar às 10 da manhã, de chinelos, acompanhado do seu cachorrinho não vai ajudar em muita coisa, mas cruzar raciocínios com pessoas que se empenharam, de maneira desumana para estudar, testar, comprovar e registrar com objetivo de criar a cura, talvez sim.
Talvez seja este o núcleo da criatividade. Trabalhar de maneira livre com pessoas que tomaram o problema com responsabilidade e agora, com respeito, estão trocando informações, dando ciência aos fatos e montando o quebra-cabeça. Haja ouvidos.
Quando ouvir faz ganhar tempo.
Quantas discussões familiares, poderiam ter sido evitadas se o primeiro a se sentir ofendido respirasse e ouvisse até o fim?
Filtro e Raciocínio serão muito úteis e economizarão muito tempo. Geralmente desprendido em escapes emocionais, vaidade, agressividade, desumanidade, etc. Mesmo que vulnerável, a essência humana, muitas vezes induzida ao impulso tem muito espaço para evoluir e não se trata de um ou dois. É a humanidade em movimento que abre espaço para novos comportamentos. A interdependência é inevitável e ganhar tempo até aqui, vale ressaltar, dependerá muito do dobro ou triplo de tempo investido sem esperar nada a curto prazo. Ouvir mais até que se possa tornar prático com propriedade e êxito.
Os tímidos também falam.
Só que eles falam pouco. Um exemplo a se tomar: Falar pouco, pois o que precisa ser dito com clareza e consegue cumprir este objetivo, cumpre com poucas e consistentes palavras. Até porque palavras são apenas palavras se não saírem do discurso. Economizá-las não será uma má ideia.
Há também a desconfiança de uma relatividade nisso, pois o que seria a filosofia com todo aquele discurso denso e cheio de palavras? Agora confie! Ela, a Filosofia, já ouviu muito, estudou muito e tem por objetivo dar continuidade ao pensamento e não respostas 2 + 2 = 4. O alicerce de quase tudo, da arte, da ciência, da educação.
Talvez você não tenha entendido porque ouviu só uma vez, ou porque precisava estudar mais, ouvir mais pessoas, refletir mais ouvindo a própria voz que são seus pensamentos. Talvez você e eu precisássemos ouvir mais tímidos mais vezes, idosos e até crianças.
As pessoas terão muito tempo para te ouvir, mas precisamos falar e ouvir o que estamos falando ao mesmo tempo e muitas das vezes voltar atrás porque talvez aquilo que dissemos não fosse tão importante, indiferente, mentira, favoritismo a própria filosofia de vida, política.
Distância Saudável.
Cada um escolhe a sua. Os religiosos se distanciam dos satanistas. Os otimistas dos pessimistas. Os íntegros dos antiéticos. Os sábios dos tolos. Os vitoriosos dos invejosos e fracassados.
Há de se desconfiar de apologia a certos “estereótipos” no trecho acima, ou ainda da tentativa de convencê-lo a formar clãs, privados e preconceituosos, puros segundo algum interesse. Ao contrário deste pré-conceito encerro esta coluna afirmando que algumas coisas não devam “entrar por um ouvido e sair pelo outro”, pois são apenas instrumentos de destruição, empobrecimento, incredulidade e doença. Você pode escolher não estar perto pra ouvir.
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


