A palavra “ESQUIZO” vem do alemão “SKHIZEIN”, que significa: separar, partir. Já “MERCANIA” não existe, criada apenas para compor este texto, remete a mercado, que basicamente significa um grupo onde existem compras e vendas em seu sentido mais superficial, que é, o econômico.
Quando adoecemos procuramos um médico para um tratamento, seguimos o mesmo, corrigimos (nem sempre) o formato de acordo com as instruções do médico e na maioria dos casos encontramos a amenização ou cura e estudos recentes demonstram avanço frente às patologias, até então, graves e incuráveis.
Quando desconfiamos que algo não está legal com nossa saúde recorremos a PREVENÇÃO, exercícios físicos e terapias de toda ordem.
ESQUIZOMERCANIA se dá quando o “paciente” (me incluo), que já arrisco intitulá-lo como tal, não perde, nem mesmo parte o elo que conecta seu negócio com a realidade de mercado, mas fica bem perto disso.
Abaixo listo alguns sintomas desta “patologia” corporativa:
- QUANTIDADE: O primeiro sintoma é quando acredita que a quantidade de coisas que espalha pela internet e redes sociais sem critério mercadológico ou o mínimo de personalização com seu público deve trazer o resultado financeiro (vendas) que ele precisa, simplesmente porque ele acredita ou quer.
- PRAZO: O “preciso disso para ontem” precisa de feeling, pois se for pautado por emoção tudo será para ontem. Quando traçamos uma estratégica de marketing para uma marca, bem sabemos que existem pontos a serem conectados e que são passíveis de alguns ajustes. Eu disse alguns, não todos que um leigo em mercadologia quer porque seu tio que é dono da venda há 30 anos disse que é assim que funciona. O prazo, neste caso então é apenas um aperto para aparentar trabalho. E a inteligência onde vamos aplicar?
- COMUNICAÇÃO, PUBLICIDADE E PROPAGANDA NÃO VENDEM: Antes que você, profissional de mídia, anunciante, publicitário, autodidata, professor, entre outros contestem. Pense:
A demanda ocorre quando um grande volume de pessoas previamente estudados e selecionados percebem nossa marca, aprendem sobre a necessidade que nem sabiam existir e podem até considerar como opção de compra se bem relacionados com ela. COMPROVAÇÃO: Acompanhe este caso de uma empresa que com apenas um blog post e estratégias paralelas gerou mais de R$ 436.000,00 para a empresa http://marketingdeconteudo.com/blog-post-de-500-mil-reais/;
– A mulher mais linda adentra a Casa Branca no cocktail de cerimônia da posse de Trump, caminha deslumbrante com seu corpo escultural, sua roupa impecável, perfume inigualável. Seus sapatos? Mais caros que seus pés. Sua voz? Você parece estar em frente à TV assistindo uma propaganda, mas quem pode imaginar suas propostas apenas pelo visual e expressões superficiais, como pregam artigos e palestras de marketing pessoal por toda parte? A primeira impressão ficou. Tudo bem.
Talvez, será conquistada pelo homem mais lindo da festa, que provavelmente não é Donald, J se:
- Ele estiver na festa;
- Cumprir suas exigências e padrões de beleza;
- Estiver realmente interessado nela;
- Se ela estiver bem emocionalmente;
- Se ele a persuadir e transmitir no mínimo um pouco de confiança, valores e atrativos;
- Se, se e se…
Agora transfira esta metáfora para sua marca:
Será mesmo que alguém vai comprar sua marca porque apareceu na revista, no “face” ou no rádio, no anúncio da NetFlix ou do Super Bowl.
Pode até ser que sim, mas lá no balcão, em sua sala ou no call center, um VENDEDOR precisará atender e: VENDER. E se não vender hoje, saber o momento certo de retornar ou ter a ferramenta de vendas que faça isso automaticamente, criar pontos estratégicos de contato, mostrar-se vivo, sem maquiagem ou presença por presença.
Se o seu negócio é digital, um e-commerce, uma loja virtual não se engane. Trata-se apenas de um vendedor manipulado por você e sua equipe de marketing, SEO, Inbound, Outbound, Redatores, Mídia, etc.
A esquizofrenia é dada como uma patologia humana.
A ESQUIZOMERCANIA, expressão inventada para este artigo, trata-se de uma visão deliberativa da forma como se pode enxergar o empreendedor frente aos seus desafios de VENDAS. Quase separado da realidade do consumidor.
Lembremos que a compra até pode exorcizar o consumidor, mas após ela (e até ela há um longo percurso e muito suor) ele, o consumidor, irá:
- Experimentar este produto/serviço;
- Criar juízo sobre sua qualidade e benefícios;
- Pode ou não repetir a compra ou indicar para outras pessoas;
- Pode ou não se tornar advogado de nossas marcas;
- …
E então? Será que realmente estamos utilizando a Comunicação, Publicidade, Propaganda e Vendas de acordo com a realidade? Ou nosso conceito de Marketing é “Cloud”?
Uma última reflexão:
Se a realidade de mercado é líquida e mutável ela irá exigir agilidade e aderência a moda? Aí cada marca vai decidir se quer estar na moda sempre ou se vai aderir ao “pretinho básico” para que assuntos realmente importantes sejam resolvidos pautados na inteligência da T.I, CRMS, neurociência, astrofísica, inovação. Isso pede tempo, mas garante longevidade, legado e mais algumas coisinhas que o mundo precisa de verdade.
Não é mesmo? Steve Jobs, Bill Gates, Jack Dorsey, Larry Page, Sergey Brin, Zygmunt Bauman, Carl Sagan, Neil deGrasse Tyson, Stephen Hawking, Papa Francisco, Juscelino Kubitschek, Bono Vox, Malala Yousafzai.
Não tem muita relação com pessoas, mas com vontade, trabalho, talento, espírito, um pouquinho de sorte, muita coragem. Essas coisas que poucas pessoas põem nas costas e seguem com pouco medo.
Tem hora para juntar ao mercado, entender e agir, mas tem a hora também de se distanciar, mas sem “esquizomercania”, sem desatar o laço. Pode ser que uma ação humanitária sem fins lucrativos dependerá muito da forma como é comunicada, publicada e propagada para angariar novos seguidores que trabalhem mais e falem menos.
Não é só vendas, mas se for, fale apenas com os vendedores. Garanto que não será criativo, muito menos saudável. Não que eles sejam ruins ou os únicos responsáveis. É porque vendas é resultado, mas não esqueçamos da conta.
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


