As deficiências do sistema legal e judiciário exasperam as dificuldades que os operadores do Direito enfrentam no dia a dia. Não bastasse o corre-corre para o cumprimento de prazos, as infindáveis audiências (e seus adiamentos), o esforço muitas vezes inútil para reunir as provas (os clientes acreditam que suas afirmações são suficientes para garantia de seus direitos), a penosa deficiência de legislação clara, etc. Mas isso não ocorre somente com os advogados: o aviltamento da vida é geral, gerando um Brasil caótico em áreas essenciais como da saúde, segurança pública, educação, trabalho, habitação…
Agravante característica do exercício da advocacia expõe de maneira desabonadora e imerecida os fundamentos éticos da profissão: a impossibilidade de: 1. Garantir o resultado da demanda; 2. Informar/estabelecer prazo certo para o término do processo; e 3. Informar ao cliente o custo final, o total das despesas que a ele, cliente, incumbirá pagar. Aí está a tipicamente chamada “saia justa”. E a “mercadoria” do advogado parece coisa de malandro: não tem preço certo, não tem prazo para acabar e não tem nenhuma garantia de sucesso. Na verdade, o advogado lida com fatos e situações (em boa parte) quase etéreas, impalpáveis, impossíveis/improváveis. E o resultado não poderia ser outro: excesso de trabalho, serviço judiciário acumulado…
Isso tudo é fato sabido e não há que continuar por esse caminho. Então, confirmando a disposição emocional do brasileiro de desmoralizar as imposições que o reduzem à impotência, sem a mínima condição de reagir, “apela pra avacalhação, o besteirol”. E procura desafogar as mágoas ironizando os tropeços da vida.
É hora de encurtar! Vamos, então, aos fiascos (“gafes tribunalícias”), transcritos textualmente do livro “Desordem no Tribunal”, retiradas das atas das audiências. Na próxima edição apresento os casos mais engraçados, no formato pergunta e resposta.
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.


