Quando a morte visita a nossa casa, ela deixa uma nuvem escura de tristeza como lembrança. Mesmo que esteja fazendo sol, o cinza que embaça a nossa visão não muda de tom. E a gente se sente pequeno, encolhido, abafado, desiludido e sem chão. É o luto que invade a nossa alma.
Perdi um parente e um amigo.
Foi meu vizinho na infância, e embora nunca tenhamos brincado juntos, porque ele era muito mais novo, tenho uma longa história pra contar. Nasceu temporão e como todos os caçulas, foi muito “cocorado” pela mãe, pelo pai e pelos irmãos. Era danado até não poder mais. Subia no telhado e pulava para o nosso, quebrando umas telhas de vez em quando. Meu pai ficava bravo e falava – esse menino ainda vai cair de cima da casa e quebrar as costelas. Nunca quebrou.
Ficou moço, virou “gente”, parou de subir nos telhados, ficou amigo lá de casa. De vez em quando dava uma passadinha pra um café ou alguma quitanda da minha mãe. Não faltava nos aniversários, participava da vizinhança.




