Consciente ou inconscientemente, o corpo fala… Difícil é entender sua linguagem, marcas, sinais… Mas revela o que sentimos e também o que não temos a mínima percepção; desvenda o que tentamos esconder com palavras, posturas, gestos, olhares… Aqui temos duas intersecções: a fala “do corpo” (evidente ou oculta ao exame superficial) e a “mental”. Hoje, técnicas de imageamento cerebral mais aproximam as duas vertentes).
As áreas médicas (refiro a médicos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros) especializam-se na interpretação das marcas e sinais que possibilitem o diagnóstico, primeira etapa dos procedimentos em buscada cura ou atenuação de doenças. A área mental é mais complexa, pois alguns sinais e marcas vêm revestidos de inúmeros disfarces, subterfúgios, preconceitos, deficiências culturais, modismos, lavagem cerebral de várias origens desde familiares, religiosas, morais… Fala pelo corpo, mas com um acréscimo de ponderável: é expressa basicamente por palavras, que mais escondem do que revelam. Dispensando considerar idiomas, lembro a fala da alma feminina: a natureza, o condicionamento e as limitações sociais a elas impostos em milhares de anos no tempo e no espaço, a adaptação da condição de criança a menina, a moça e a mulher e outros fatores importantes criaram uma linguagem própria, repleta de metáforas e insinuações…. Deliciosa ou maliciosamente construída, incompreensível e impermeável aos homens, aos quais são verdadeiros enigmas!
Quanto ao corpo, lembro-me de Guimarães Rosa (em trecho que motivou esta crônica) no conto inédito “Questões de família”, mineiro, médico, diplomata que viveu o importante meio cultural europeu e também a rudez do agreste mineiro, escreveu:
“…toda mulher que influi na vida de um homem tem um olhar decisivo; um só, que pode ser no começo, no meio ou no fim da história: um olhar que fica: que é sempre lembrado, que faz saudades, que faz felicidade, que faz sofrer”!
O mesmo olhar… E o sorriso de Regina, quando tudo começou!
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.


