Palavras criam e deixam marcas por si sós. Sinalizam clara ou veladamente o que vai na alma (“Freud explica!). Constroem e destroem; contam histórias; fazem versos bons e péssimos; absolvem e condenam; em seu cantar desfilam a epopeia da vida em seus encantos e desencantos. Está na fala dos santos (trazendo consolação e esperança) e dos maus políticos (trazendo desesperança e revolta). Também divertem e entristecem, conquistam e usurpam a credulidade.
Há tempos venho me referindo a enganadores – conscientes ou não – da credulidade alheia. Desprovidos de largos dotes ou de desempenho notável, constroem falsa imagem dourada e disso se aproveitam para se autopromoverem, sem o menor pudor de buscar homenagens e firulas de toda sorte para o inefável alisamento do ego carente e doentio.
Não me refiro à autoestima ou ao legítimo direito de sermos reconhecidos pelos predicados de boa conduta integrada à vida em sociedade. Falo também dessa triste ânsia dos que sofrem por não aceitarem as limitações e ignorarem que a perfeição não é atributo humano! Estão em toda parte e isso é humano, compreensível e até aceitável, a não ser quando ultrapassam os limites do ridículo – pelos absurdos incontornáveis dos delírios… Lembremos a “Lava Jato” e seu alcance!
Como a maioria dos amigos, percorri uma venturosa história de vida – como piloto, paraquedista, dinheiro curto, namoradas indecisas ou grudentas… Personagem ou figurante em jornais, cartórios, Fórum, Prefeitura, Câmara Municipal; vida cultural, artística, esportiva, profissional, política, social, como estudante e professor; em Franca, São Paulo e Rio de Janeiro, solteiro, casado, pai de três filhos,
Foi necessário esse rosário! Pela vida vivida, creio-me autorizado a utilizar, embora desgostoso, ao me referir aos aproveitadores das fraquezas humanas, expressões como “filósofos de almanaque”, “navegadores de cabotagem”, “filósofos de bar”, “discurso de boteco”…
Ora!… Tenho sido educado!!!
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.


