Os olhos da moça, sentada em um banco lá no meio do ônibus, estavam cheios d’água e a emoção era visível em seu rosto, enquanto aquele senhor sentado no banco de trás ouvia um radinho AM. A moça lembrava com saudade, enquanto a música tocava, do dia em que conheceu o pai de seus filhos. Estavam em um bailinho e dançaram trocando o primeiro beijo ao som daquela canção que agora saia do pequeno alto falante do rádio. Até o cheiro e o gosto daquele ponche de frutas voltou à sua memória. A moça reviveu ali aqueles momentos felizes e um sorriso brilhou em seus lábios… .
Embora nem sempre seja considerada arte, todas as civilizações desenvolveram alguma forma de música, algum tipo de manifestação musical. Alguém disse que, mesmo que você ouça e goste da música de uma tribo africana, por exemplo, você jamais será capaz de senti-la e compreendê-la como um nativo desta tribo. Como arte, organizada em sua forma e estrutura, a música desperta emoções e sentimentos em praticamente todas as pessoas. A alegria do acorde maior, a tristeza e a melancolia do acorde menor, a trilha sonora do filme de terror, a melodia romântica dos encontros amorosos.
Os sons da natureza provavelmente inspiraram os primeiros humanos a criar: o grave dos trovões, o canto dos pássaros, a água correndo pelos riachos, o vento, a chuva.
De qualquer maneira, o importante mesmo é que você desfrute e aproveite cada nota da música que faz bem ao seu coração, à sua alma. Mesmo se for o som do silêncio… .
Originalmente publicado no site www.alimentodaalma.com
*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras.


