
Na minha infância sonhava com lindos castelos que tinham portas e janelas abertas como um raio de sol, levavam para um jardim onde borboletas flutuavam e eu também diante de tanta magia. Caminhava entre flores, rodeada de dogs abanando seus rabinhos, uns puxando a barra de meu vestido, outros latindo como escolta até chegar em um bonito lago cheio de pedrinhas na beirada para serem jogadas na água e fazer ondinhas. Mas ao pegar uma das pedrinhas, não conseguia me embalar nesta sensação já tão conhecida, pois estava diante de boquinhas de peixes que me mandavam beijinhos, cisnes, gansos e patos que dançavam só para mim. E ainda, onde estava o patinho feio das historinhas? Procurava e não encontrava. Tudo em meu jardim era encantado e abençoado. Mas mesmo assim, eu rezava para o Papai do Céu, proteger este patinho, porque não sabia em qual jardim ele morava e tinha medo dele ser judiado, passar fome ou frio. Então, diante desta minha dor e aflição, pedia para que o Menino Jesus enviasse o patinho feio para o meu jardim, pois se eu cuidasse dele com amor e carinho, ele se transformaria no mais belo de todos.
Esperei anos e anos…
Todos patinhos que nasceram ou apareceram no meu jardim sempre foram os mais lindos de todas as historinhas.
Legado de Maria
(Maria Célia N. Cossi)


