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PASSADO

Por Entre linhas 10 de março de 2016 3 min de leitura

Era noite de baile na Casa Rouxinol. A noite, considerada de gala, pedia uma preparação ainda mais minuciosa. Rosa sabia disso, então procurou em seus guardados, o vestido mais bonito. Vermelho! Ele destacava seus olhos negros. Ah os olhos… Atrás daquele brilho, eles escondiam tantas dores e angústias. Mas ela sabia que não era hora para lamentações. Era dia de festa e ela queria ser feliz, mais uma vez. Depois de vestida, Rosa pintou-se com a mesma maestria de outrora. Linda! – Pensou ela. O táxi já a aguardava na porta e minutos depois, ela estava no salão do Rouxinol. Brilho, luzes, animação e música…. A música que tocava a transportou para o passado. Viu-se naquele mesmo salão, vestido preto e uma rosa no cabelo. O adorno tinha sido presente de seu marido, Alberto. E ele estava radiante. Através de suas mãos e passos hábeis, Rosa desfilava por todo o salão, entre uma canção e outra. Eles queriam gritar para o mundo o motivo de tanta felicidade: Eles teriam um bebê!

Entre uma dança e outra, Rosa e Alberto decidem ir para casa. Já estava tarde e os primeiros raios do sol começavam a aparecer. O céu estava especialmente belo. Enquanto caminhavam para o carro, planos a mil, sorrisos, abraços, Rosa e Alberto não viram o carro desgovernado que vinha ao encontro deles. Foi tudo rápido demais. Tudo ficou escuro. Em pedaços. Quando voltou a si, duas semanas depois, Rosa recebeu a fatídica notícia: estava sozinha. Sem Alberto e sem o bebê que tanto desejaram.

Dez anos. O tempo que a separava do ontem e do hoje. Agora, de volta ao Rouxinol, Rosa finalmente entendeu que era hora de perdoar e aceitar as perdas. Hora de se deixar levar novamente pelas canções de amor, de alegria. De não deixar que as feridas ganhem proporções maiores do que realmente são. E de aceitar o milagre da vida. Afinal de contas, ela estava ali. Na ponte entre o ontem e o hoje, ela fez a passagem. Chegou do outro lado mais leve. E passos ainda trêmulos, arriscou-se na pista de dança. E a Rosa que pensou ter morrido, voltou a desabrochar.

*Para aqueles que um dia acreditaram que o fim da linha havia chegado… Há ainda muitos caminhos a serem percorridos. E a vida, é mesmo uma viagem fantástica.

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