Há situações em que somos obrigados ao exílio. Outras, por conta própria ou afetados pelas circunstâncias.
Quando tudo vai bem, a festa acontece e não precisa nem ser organizada, mas quando há crise, guerras, conflitos, a coisa muda bem e age, desculpem a expressão, “COMO UMA PENEIRA”.
Gostaria de focar em apenas um exemplo e deixar que o leitor pense livremente como “PENEIRA” tem operado na atualidade.
Na década de 60, as circunstâncias políticas não eram nada favoráveis à Francisco Buarque de Holanda (Chico Buarque). Exilado na Itália, viu Gilberto Gil e Caetano Veloso serem presos e depois exilados em Londres, Vinícius de Moraes ser aposentado de seu cargo no Itamaraty e a posse de Médici em 1969.
Na canção “Apesar de você” protesta: “Hoje você é quem manda, falou, tá falado”. Mais à frente pergunta: “como vai proibir quando o galo insistir em cantar?”
O censor “distraído” deixou passar. 100 mil cópias vendidas em uma semana até sacarem o protesto, recolher todas as cópias, e punir o censor, mais desastrado do que distraído.
Chico até tentou justificar cinicamente: “Estou falando de uma mulher mandona”
Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia…
Mas qual a relação deste fato com o título?
PEIXE FORA D’ÁGUA. A criatividade do exílio.
Veja como algumas pessoas, a arte e o mundo avançaram meio à “perrengues”. Salvo o talento, sorte e trabalho inquestionável da minoria.
O distanciamento é uma atitude criativa. Forçado ou não, a forma como reagimos definirão em grande parte como ficaremos depois do furacão.
Recuar e fazer samba no escuro pode não ser uma má ideia. É preciso, inevitavelmente, considerar o talento, as relações pessoais, o trabalho das 6 da manhã às 00:00 para ver algo nascer digno da etiqueta: Made by Human. (Feito por um humano.).
Ouça:
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


