
Há alguns dias descobri uma coisa. De que tinha medo de mudar por puro receio de perder. Perder minha casa e nunca mais encontrar uma igual. Perder os amigos, acreditando que jamais encontraria outros tão bons quanto julgava os que eu tinha. Perder o conforto de um trabalho que me dava status e retorno financeiro satisfatório. Perder o controle de quem acreditava ser. Perder a normalidade das coisas: O pão quente que tem na esquina, a segurança de andar à noite pelas ruas que aprendi a conhecer tão bem. Descobri que tinha medo de, de novo, ter que descobrir os segredos do lugar. De ter que me aventurar em todos os inícios que precedem as relações sociais. De ter que mais uma vez saber até onde vão meus limites. De ter que buscar pedras, tijolos e areia para construir uma nova ponte. Mas as mudanças e os segredos se revelam quando querem e meu coração andava com dificuldades de prescindir do conforto. Mas a vida é assim… Não se pode ter muito medo.
E experimentando um pouco de coragem, decidi olhar pra dentro de mim. E descobri outra coisa: que eu, no fundo, devia amar os meus erros. Porque eu insistia em repeti-los, um a um. Insistia em ser uma pessoa que já não tinha mais forças para permanecer em mim. Vivi crises. Sozinha e rodeada por uma multidão que não me entendia e nem era obrigada a tal. Mas demorei a entender que para tudo tem um tempo, até para melhorar como gente. Entendi que eu precisava ser condescendente com meus erros, porque não se muda uma história tão arraigada, que vem dos meus pais, avós e bisavós em uma semana. Só assim passei a perdoar mais. Só assim entendi que conseguiria me recuperar mais rápido das minhas trapalhadas. E tentando deixar para trás os pedaços que perderam a cola, percebi que a fuga é tão pior quanto a auto punição. E hoje, não fujo mais. Olho de frente para todos os fantasmas e, a cada nova curva, vou deixando cada um em seu devido lugar. E volto a caminhar um pouco mais leve, mais tranquila, mais feliz.


