Lançado em outubro de 2015, “Perdido em Marte” de Ridley Scott, encena o drama do astronauta Mark Watney (Matt Damon) ao ficar sozinho em Marte após um acidente durante uma evacuação de emergência devido a uma tempestade. A equipe o abandonou pois o deu como morto.
Com suprimentos para poucos meses e nenhum meio de contato com a NASA até então, Mark se posiciona como sobrevivente buscando meios de estender a sua vida e encontrar meios de comunicação com a Terra.
A situação do personagem o coloca em absoluta solidão e isolamento. Apenas detentor de seu intelecto, emoções, corpo e o que pode fazer SOZINHO com tudo isso.
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O primeiro fato que analiso é como sua solidão busca o coletivo (ajuda) como garantia de vida.
O segundo fato é que a prioridade é aquilo que é mais básico: Alimentação. Neste trecho ele cultiva batatas a partir da Terra, batatas do estoque de suprimentos, água gerada a partir de tecnologia e fezes da tripulação. Com isso estende seus suprimentos por mais alguns meses.
Apesar da ficção há nestes 2 fatos: Solidão e Sobrevivência, uma densidade imensa de Criatividade, que nada mais é do que Conhecimento Científico, Equilíbrio Emocional, Saúde e Espiritualidade (Fé e Fé em si mesmo) e AÇÃO.
No início do parágrafo anterior me expressei mal com o “que nada mais é”. Dá um pouquinho de trabalho fazer tudo isso e não é do dia para a noite. Ele ficou por lá 18 meses, mas quantas mil horas não se preparou para esta terrível oportunidade?
A partir desta reflexão podemos contestar o ensinamento budista que diz:
“Se você quer saber como foi seu passado, olhe para quem você é hoje. Se quer saber como vai ser seu futuro, olhe para o que está fazendo hoje. ”
Em algumas circunstâncias da vida, como a sobrevivência ou tempos difíceis em qualquer aspecto, talvez o melhor a fazer é assumir sua identidade e ir além, por mais insano que pareça: CURTINDO A VIAGEM COMO UMA CRIANÇA.
Talvez não fomos grande coisa no passado e talvez não fizemos grandes coisas até agora. Talvez porque estejamos PERDIDOS EM MARTE e ao invés de começar apontamos para o outro, para o líder, para o governo ou para Deus.
Não quero com esta reflexão emancipar os outros de suas responsabilidades, mas assumir estar perdido e não procurar o caminho de volta é mais insano do que parar na ponte do Inferno em chamas.
Quanto maior seu conhecimento, posição hierárquica, quanto ao nível do seu caráter ou personalidade, quanto maiores suas qualidades, maior a sua responsabilidade em fazer o que pode para encontrar o caminho de volta para casa.
Este “De Volta Para Casa” pode ser a ressignificação de coisas que te levaram a doenças psíquicas, pode ser a retomada de crescimento de sua empresa, pode ser a mudança que você precisa assumir, pois conforme Darwin, não são os fortes e inteligentes que sobrevivem, são os que se adaptam às MUDANÇAS.
Muitas vezes é mais fácil se render a ilusões, práticas recomendadas de mercado e ponto, conselhos, estereótipos do que olhar para si e se conformar com a própria condição se incluir à Sociedade, já que ela está mais perto que Marte à 225.000.000 de km da Terra, fazer o melhor e seguir em frente pensando no Universo ao invés da Província.
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


