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Quando o silêncio grita

Por Entre linhas 24 de junho de 2016 2 min de leitura
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E quando menos perceberam, estavam sentados lado a lado. O silêncio gritando dentro de cada um anunciava que era chegada a hora de colocar os pratos na mesa. A tão temida conversa se tornou urgente. Latente. Imprescindível. E então ele começou a dizer tudo o que trazia dentro de si há meses… Todas as ausências, todas as frustrações e, toda falta de vontade. Atordoada, ela viu o sangue gelar, o chão sumir. Chorou dentro de si mesma. Um choro doído. Mas entendeu cada palavra que saía da boca dele. E percebeu que também tinha suas dores. A dor da falta de demonstrações de afeto. De cumplicidade. Do desejo. A dor da falta das conversas banais. Da expectativa pelo reencontro. A dor da falta dos corpos entrelaçados numa canção singular. Dos planos para o futuro. Da vontade de serem um só. Chorou ainda mais, desta vez, por ter percebido que chegara a hora de dizer adeus. E então, após enxugar as lágrimas, olhou bem nos olhos dele e agradeceu. Pela história que viveram e pela oportunidade de recomeçar. A partir de agora ela seguiria sozinha. E sem olhar para trás, ela abriu os braços para as novas oportunidades que começariam a chegar. E voltou a sorrir sem o medo de parecer ridícula. Porque ela sabia que estava apenas feliz. E valia à pena correr todos os riscos, até parecer o que não é.

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