Os tempos pós-modernos liquefazem quase tudo: Tradições, Receitas, Tratamentos, Relacionamentos. É inevitável.
A urgência da adaptação à vida e trabalho nunca foi tão latente como nos tempos atuais. Não estou falando de uma cidade, estou falando do mundo.
Criam-se então apegos e resistência quanto ao que se concentrar: Trabalho ou Simpatia? Pôr a mão na massa ou sorrir?
Em qualquer empresa, em qualquer parte do mundo, neste momento, a tensão por resultados financeiros é o que ocupa pautas de longas reuniões, conversas de corredor e até do happy hour.
Quando a água “bate na bunda”, lideranças e corporações se acovardam das mais diversas formas, consciente e inconscientemente, recorrendo à processos de gestão falidos e comportamento frenético diante do desespero em conseguir dinheiro.
Há quem ameace, há quem se sinta ameaçado sem ter sido ameaçado, há quem estuda, estuda e estuda e enterra consigo um Lattes impecável, sem nunca o ter doado a qualquer ocorrência prática que fuja do “blá, blá, blá”, do debate ou da passeata anêmica nas principais avenidas das cidades.
No final do século XVlll, o jurista inglês Jeremy Bentham concebeu o “Panóptico”. Um projeto de prisão circular onde uma pessoa observa várias outras do centro.
Este conceito migrou dos séculos seguintes até os dias atuais, mas com integrações “de quem vê o quê” mais complexas. O processo concebido no século XVlll por Bentham relativamente migrou do centro único, onde apenas um vigiava todos. Hoje, os prisioneiros estão soltos graças a várias transformações sociais, lutas populares, guerras, etc. Os vários olhos, livres, de vários colaboradores se voltaram para o líder e para quem quer que seja que esteja ao seu redor.
Resumindo: É muita gente vigiando muita gente e muitas coisas. O efeito disso é a multiplicação de leituras e conclusões, na maioria das vezes confusas ou equivocadas.
Onde entra a simpatia?
Não há a possibilidade de um trabalho mais produtivo contando exclusivamente com simpatia, gente com sorriso no rosto o tempo todo.
Também não há possibilidade de êxito que conte apenas com trabalho, mecânico e pronto. Certo? Quase certo.
São dois pontos: Simpatia e Trabalho.
Simpatia:
Sorri quem está bem, se trata, cuida de seu bem-estar, pratica exercícios, se alimenta. Gente espiritualizada e diante de tantas dificuldades econômicas, políticas e sociais, a maioria espera pelo momento ideal, pela descoberta do exercício perfeito, da dieta infalível e o tempo vai passando sem misericórdia. Ser simpático dá trabalho, não é temporal, porque não haverá um estado constante e invariável de simpatia. É questão de manter a simpatia e isto brota das raízes do “eu” e suas relações com o mundo.
É preciso trabalhar pelo nosso bem-estar. O resto, a SIMPATIA, é apenas o resultado e cada um terá sua forma própria, única, seja pelo sorriso, discreto ou exagerado.
Trabalho:
Muitas vezes sabotado. É como se todos tivessem esperando: Quando a simpatia se padronizar a gente começa e se demorar ameaçamos os “caras amarradas”. Mesmo que inconscientemente ameaçamos, não dá para negar.
O trabalho e a disciplina com o trabalho foi e sempre será a causa de poder.
Aí temos sabotadores de todo tipo:
Àqueles que vendem uma corporação “anti-ditadura de liberdade vigiada” e na prática não entendem a falta de sinergia do time.
Existem também aqueles que pregam para que “Ninguém leve tudo tão a sério” e na segunda-feira com certeza todo mundo já vem bem “relaxadão” como se o momento não inspirasse cautela.
Tem dinossauro também: Àqueles que chegaram até aqui assim, estão afundando ASSIM e responsabiliza sempre o outro.
Contextualizar:
Não tem medida certa. Mais Simpatia, menos trabalho ou uma mistura equilibrada dos dois. É uma questão de bom senso e senso de prioridade.
Sou obcecado por concentração e ter comigo pessoas concentradas. Nosso país é extremamente passional e dolorido.
Já presenciei em várias empresas “o circo pegando fogo” e a turma do departamento X preocupada com o tom de voz do outro que se preocupa e quer fazer acontecer diante da urgência. Diante da PRIORIDADE.
Dentre os principais cenários corporativos é fácil perceber a URGENTE necessidade de criatividade, inovação, saneamento financeiro, gestão de tempo e várias outras coisas.
Simpatia é uma competência indispensável, mas se você estivesse correndo risco de vida, num campo de batalha, cercado de inimigos e alguém pudesse te ajudar você pediria um “sorrisinho” antes?
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


