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Um blues, as estrelas e o vinho

Por Entre linhas 15 de março de 2016 2 min de leitura


Esses dias têm sido estranhamente intensos. Há uma algazarra dentro de mim me mostrando novamente que é preciso escolher entre o cômodo e a possibilidade. A perspectiva. Tento abafar essas tantas vozes, mas a cada dia, elas falam mais alto… Gritam e me fazem questionar o porquê disso tudo. Prossigo inventando desculpas para essa queimação interna, mas eis que as vozes… Ah, elas são espertas! Pegam-me vulnerável, desarmada, numa noite de sexta-feira. A Lua lá fora dança com as estrelas e me convida a fazer parte da festa.
A música que ecoa pela sala, num blues envolvente, me leva para longe e confiando não ser atingida pelo clarão das estrelas, eu percebi que estava exatamente onde queria estar. Era o princípio de tudo. Uma noite, um blues tocando no som da sala, a Lua, as estrelas e eu.
Deixei-me levar pela melodia… Servi-me o melhor vinho e decidi romper com o esperado e fazer o novo. Resolvi me inventar livre. Ser plural e não mais singular. Valorizar mais o amarelo em detrimento ao azul. Estava disposta a chegar em meu extremo mais intenso. Escancarei a janela para conseguir sentir aquele vento gostoso de uma noite estrelada. Pensamentos desconexos. Em mim, parecia não haver ninguém e muitos ao mesmo tempo. Quem eu poderia ter sido? Quem ainda serei?
Na imensidão dos segundos em que sossego e me repito de desejos, olho a janela que me devolve o negro da noite e confio-lhe a calma estranha de quem convive com os dias que já chegaram e me deixaram mais velha.
Não pertenço a nenhuma geração, nem sou da história, apenas invento a minha própria, inundada do que tenho e do que não me pertenço. As histórias passam atrás de nós, e pela frente, como sombras, dançando com a luz, indo e regressando, como a dor e a alegria, o calor e o frio, você e você… E mais você.

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