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Uma canção sobre nós dois

Por Entre linhas 10 de novembro de 2015 2 min de leitura

Foi um amor e tanto. Daqueles que surgem meio sem querer e quando a gente vê, está de quatro. Abobada, envolvida, entregue. Nem nos meus sonhos mais remotos imaginaria olhar para aquela figura. Mas um dia olhei. Não foram seus olhos que me conquistaram, mas seu perfume. Depois daquele dia, não conseguia parar de pensar nele. E ele em mim. Mas eu não podia, ou pelo menos não queria aquilo. Não com ele. Inventei mil e uma desculpas para não ceder às investidas. Aos olhares. Às delicadezas. À amizade que surgia. À vontade diária de ouvir sua voz e saber que ele estava ali. Pra mim. Fui forte até quando as forças cederam às ondas do encantamento. Do carinho. Da saudade. Do desejo de estar sempre mais e mais presente. Quando vi, já era dele. E ele que já era meu há muito tempo, deixou-se inundar por um amor que jamais ousara sentir. Que dirá eu, menina ainda, perdida em seus braços. Seguindo seus passos e rezando para que o tempo parasse para nunca mais perder aquele momento. Mas o tempo… Ah o tempo…. Amigo e algoz, não me ouviu. Aquele mágico momento passou. Mudou ele e mudou eu. Nos perdemos no dia-a-dia. Nas cobranças. Nas inseguranças. Mas o amor, aquele amor arrebatador permanecia. Forte, inabalável. Mas eu queria mais. Queria senti-lo novamente inteiro, entregue. E ele fraco, não soube entender. Não sabia mais lidar com nós dois. Apesar de me querer ao seu lado, não conseguia olhar em meus olhos como antes. E eu, menina ainda, juntei uma coragem esmagadora e fechei a porta. Sem olhar pra trás, fui embora. Sofri. Ele sofreu. Choramos juntos e sozinhos. Fizemos promessas. Mas eu permaneci na minha escolha. E juntando todos os cacos, continuei meu caminho. Ele ficou no mesmo lugar. Eu, longe, ainda podia senti-lo dentro de mim. Até que um dia, sem que precisássemos falar mais nada, como num pacto, nos transformamos. Não éramos mais dois amantes. Nos tornamos dois amigos. Leais, próximos. Do que passou ficaram apenas as lembranças e a certeza de que fizemos as escolhas certas.

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