
Parada em uma casa preta, observava o tabuleiro. A vida não é um jogo de regras simples. Ando duas casas, volto três, avanço quatro, me perco, passo a vez, abstenho-me de jogar. Às vezes ando para frente e às vezes para trás… Isso sem contar os inúmeros momentos em que fico imóvel, só observando o ir e vir das outras peças.
Tentando analisar meu próximo movimento, percorro meu tabuleiro, giro a roleta, exponho minhas cartas, escondo meus coringas. Não sei na verdade em que fase do jogo estou, mas neste momento sou a única pessoa a mover-se sobre o tabuleiro descobrindo novos horizontes… E por isso mesmo, hoje só me permito canastras limpas.
Atropelada por um peão, ansiosa, esforço-me a esperar tua jogada. Sei que estás blefando e aumento minhas apostas, mesmo sem saber o que me espera, apenas sentido as batidas apressadas do meu coração. Procuro meu reflexo dentro de teus olhos e xeque-mate, fostes à lona. Perdeste a direção, a aposta e a partida. Aceito teu novo desafio. Será que dessa vez preferes jogar com meus dados?
A aposta está feita… E o novo jogo, prestes a começar… Agora é com você.


