Elvis
Presley entrou no estúdio “Memphis Recording Service” em 1954 para gravar uma
música para o aniversário de sua mãe. Foi uma gravação independente, ele não
tinha contrato com nenhuma gravadora. E claro, ninguém distribuiu, divulgou,
promoveu e vendeu os discos. Se Sam Phillips, proprietário da “Sun Records”,
dona do estúdio, não tivesse visto ali um dos maiores cantores do planeta,
provavelmente ninguém conheceria Elvis, The Pelvis. Naquela época, todo artista
precisava de um selo fonográfico de peso, para ter seu trabalho distribuído e
executado nas emissoras de rádio e TV. Este tipo de relacionamento
artista/gravadora foi a base da indústria fonográfica durante o reino das
chamadas “majors”, grandes gravadoras como EMI, CBS (posteriormente Sony
Music), Warner e Universal Music. Logicamente, os grandes selos não poderiam
acomodar toda a demanda. Artistas talentosos passaram sem ter a oportunidade de
mostrar seu trabalho, muitas vezes até pelas tendências de mercado que não
incluíam naquele momento outros estilos musicais, apenas o que estava na moda.
Assinar um contrato com um grande selo era o primeiro e mais importante passo
para qualquer artista com alguma pretensão de fazer sucesso. Como o dinheiro
fluía com certa facilidade, havia o adiantamento a autores e intérpretes, o
jabá para as emissoras de rádio e televisão e assim nascia uma estrela. Depois
o público decidia quem deveria permanecer e gravar o segundo disco. Estúdios,
só os profissionais, gravar em casa era impossível e isso restringia ainda mais
as possibilidades dos artistas que pretendiam o sucesso. Lembro que em 1979 eu
trabalhava na Decson, uma gravadora de áudio publicitário de Ribeirão Preto
fazendo textos para as propagandas e ajudando o Júlio, diretor de criação, a
fazer alguns “jingles”. Incentivado por ele, gravei uma música e coloquei em um
disquinho assim, como o da foto abaixo. Eram discos para gravar, metálicos
cobertos de vinil, usados para enviar o áudio ao cliente. Considero esta a
minha primeira tentativa independente, que obviamente ficou só na minha
história, não tenho nem a música que gravei. Talvez ela esteja neste
disquinho…

Em
1977, Antonio Adolfo (que já tinha trabalhado com Maysa) lança o disco Feito em
Casa, que ele mesmo vendia às lojas através de um selo chamado Artezanal, e dá
início a um movimento de artistas que buscavam entrar no mercado sem
necessariamente fazer parte do cast de uma grande gravadora. Em
1979, o Boca Livre lança seu primeiro disco nesses moldes, distribuído pela
Independente – Distribuidora Musical Ltda. Vieram a Franca fazer um show e essa
foi a oportunidade de conversar e descobrir o caminho das pedras. Gravamos em
São Paulo e lançamos o Fogo Fátuo com a mesma distribuidora. Veja o detalhe na
capa do disco:

Hoje
a indústria fonográfica mudou (ou acabou) com a força gigantesca da internet. O
melhor de tudo é que com o advento da gravação digital, milhares de artistas e
bandas de todo o mundo conseguem produzir e lançar seus trabalhos para o mundo.
Mas isso já é conversa para a semana que vem….
*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras.


