Muitas
safras se passaram desde que os vinhos alemães de garrafas azuis e qualidade
duvidosa chegaram aqui há pouco mais de duas décadas – uma excelente
estratégia de marketing criada por um importador de vinhos inundaria o Brasil
com milhares dessas garrafas nos anos
90. Difícil encontrar alguém que tenha 40 anos ou mais de idade
e não tenha se aventurado nos brancos de nomes difíceis. Lembro-me, à época,
ouvir que quanto mais letras no nome, melhor o vinho. Não raro as pessoas se
referiam aos Liebfraumilchs como
“garrafa azul” – o nome era quase impronunciável.
Bebemos
a exaustão aqueles vinhos açucarados e enjoativos e, bons ou ruins, ordinários
ou não, para muitos de nós, foi a primeira experiência com a bebida – e logo
perceberíamos o quão traumático seria esse começo de relacionamento.
Mas não
desistimos, decidimos conhecer mais sobre esse mundo, a nos aventurar por
novos rótulos e a conhecer outros bouquets.
Começamos
a nos interessar por vinho, suas uvas, seus terroirs, suas safras. Descobrimos regras e rituais para
degustá-los da melhor forma.




