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EVOLUÇÃO

Por Cesar Colleti 5 de novembro de 2015 3 min de leitura

Muitas
safras se passaram desde que os  vinhos alemães de garrafas azuis e qualidade
duvidosa chegaram aqui há pouco mais de duas décadas – uma excelente
estratégia de marketing criada por um importador de vinhos inundaria o Brasil
com milhares dessas garrafas nos anos
90. Difícil encontrar alguém que tenha 40 anos ou mais de idade
e não tenha se aventurado nos brancos de nomes difíceis. Lembro-me, à época,
ouvir que quanto mais letras no nome, melhor o vinho. Não raro as pessoas se
referiam aos Liebfraumilchs como
“garrafa azul” – o nome era quase impronunciável.

Bebemos
a exaustão aqueles vinhos açucarados e enjoativos e, bons ou ruins, ordinários
ou não, para muitos de nós, foi a primeira experiência com a bebida – e logo
perceberíamos o quão traumático seria esse começo  de relacionamento.

Mas não
desistimos, decidimos  conhecer  mais sobre esse mundo, a nos aventurar por
novos rótulos e a conhecer outros bouquets.

Começamos
a nos interessar por vinho, suas uvas, seus terroirs, suas safras. Descobrimos regras e rituais para
degustá-los da melhor forma.

Em
pouco tempo já não nos encantavam as garrafas de Joseph Frederich, e
qualificamos a Alemanha como produtora de péssimos vinhos brancos – o que é
mentira, pois sabemos que lá se produzem ótimos rieslings.

Descobrimos
que vinho é bebida viva, um fermentado que está sempre em evolução. Que nasce,
cresce, amadurece, atinge seu melhor momento, envelhece e morre. Se tratado de
maneira correta – armazenamento, temperatura, transporte – não terá sua vida
abreviada por doenças causadas, muitas vezes, por simples descuidos.

Quando
envelhecido com tranquilidade, o bom vinho enriquece. Suas diferentes
características – taninos, acidez, frutas, álcool – se equilibram e nos
presenteiam com uma bebida aprazível.

Tratando-se
de uma bebida em constante desvelo, no momento de servir, alguns detalhes não
podem passar despercebidos e comprometerem todo o trabalho de guarda. Servir e
degustar um bom vinho corretamente exige conhecimento e dedicação.

Pense
nisso quando for abrir a próxima garrafa:

Ao
abrir uma garrafa de vinho, o oxigênio envolve o líquido e o acorda. Nesse
momento, a bebida se revitaliza, ganha força, seus aromas e perfumes se
desprendem e se tornam evidentes. Se possível, dê um tempo ao vinho depois de
aberto, ou jogue-o com vigor num decanter para oxigenar. Perceba que a
cada minuto ele irá crescer, melhorar.

Jamais
arrolhe o vinho durante a degustação, isso interrompe seu processo de
crescimento, vai forçá-lo de novo à prisão e, sem oxigênio, vai voltar a
hibernar.

Deguste
o vinho do começo ao fim, note o quanto ele se desenvolve, como cada taça é
única e cheia de sensações que teimam em nos surpreender.

Inté!

*Esta coluna é semanal e atualizada todas as quintas-feiras.

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