
Para passar por uma cirurgia bariátrica é preciso atender alguns requisitos, como ter o IMC (índice de massa corpórea) acima de 40 kg/m² independentemente da existência de comorbidades,
Outra opção é ter entre 35 e 40 kg/m² com comorbidades relacionadas ao excesso de peso (diabetes, hipertensão e apneia obstrutiva do sono, por exemplo).
Para se submeter à cirurgia é preciso realizar uma avaliação psicológica que comprove que o paciente está apto para o procedimento.
Vale destacar, porém, que a operação não é o ponto final: os cuidados depois da saída da sala de cirurgia são importantíssimos para o sucesso da redução de estômago.
Além de ter em mente que serão necessários um período afastado do trabalho por cerca de 15 dias e o acompanhamento de especialistas como fisioterapeuta e nutricionista, a pessoa deve respeitar todas as orientações médicas pós-cirurgia bariátrica.
O médico Thales Delmondes Galvão, cirurgião bariátrico membro titular da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), indica a seguir quais são os cinco cuidados essenciais para esta fase.
Respeitar a evolução da dieta

A adaptação à nova rotina alimentar exige atenção, precaução e uma dieta líquida sem prejuízos nutricionais ou complicações na cicatrização do estômago.
Esta fase é dividida em semanas:
Primeira semana:
O paciente deverá ingerir líquidos de gole em gole, sempre no copo de 50 ml. O conteúdo é dividido em seis goles, tomados de um em um a cada três minutos (resultando em aproximadamente 20 minutos).
São indicados nesta fase água, chás, água de coco, sucos, principalmente de laranja lima e caldos salgados passado na peneira fina.
Segunda semana:
São acrescentados à dieta líquida gelatina, leite, iogurtes e suplementos proteico.
Da terceira semana em diante:
O caldo salgado fica mais consistente e outros alimentos são incluídos, de acordo com as necessidades do paciente — daí a importância da avaliação com nutricionista.
“A mudança na consistência do caldo salgado e a inserção de itens à dieta são feitas gradativamente no decorrer das semanas”, explica o médico Thales Delmondes Galvão.
Nesta fase também se inicia a adaptação comportamental em relação ao fracionamento de alimentos e à mastigação lenta.
Acompanhamento com equipe multidisciplinar

Com o estômago menor, a fome diminui e a saciedade é mais rápida, o que resulta em emagrecimento.
A perda de peso geralmente ocorre nos primeiros doze a dezoito meses após a cirurgia bariátrica, quando se espera a eliminação de cerca de 40% do peso inicial.
Durante o processo de emagrecimento é comum haver uma fase chamada de “platô”, em que os quilos na balança ficam estacionados por algum período.
Nestes primeiros dois anos é imprescindível contar com o acompanhamento especializado da equipe multidisciplinar e, em casos de ansiedade com essa situação, de psicólogo.
Adotar uma rotina de exercícios físicos

Assim que o cirurgião bariátrico ou o fisioterapeuta liberar, o paciente deve iniciar a prática de uma atividade física pelo menos três vezes por semana.
Exercitar o corpo tem diversas vantagens no pós operatório da redução de estômago:
– ajuda a diminuir a perda de massa magra;
– aumenta o metabolismo e o mantém alto;
– auxilia na regulagem da pressão arterial;
– melhora o tônus muscular;
– minimiza a ansiedade pela perda de peso;
– fortalece e firma a pele.
De modo geral, nas primeiras semanas do período pós-operatório recomenda-se fazer caminhadas de 15 minutos pelo menos quatro vezes ao dia.
Completado o primeiro mês, tende-se a liberar a realização de exercícios com levantamento de peso, além dos cardiovasculares, como corrida e andar de bicicleta. Atividades físicas na água também são aconselhadas.
Privilegiar alguns exercícios físicos para evitar o risco de flacidez.
A perda de peso pode resultar também em perda de massa muscular, o que pode levar à flacidez em todo o corpo.
Para evitar que isso aconteça, é importante reservar um tempo extra para exercícios de musculação e levantamento de peso tão logo o cirurgião bariátrico e o fisioterapeuta liberem sua prática.
A partir daí, eles devem ser feitos de três a quatro vezes por semana.
Como bônus, a musculação facilita a adaptação ao novo corpo e melhora a postura.
Complementar a dieta com vitaminas — e orientação médica.

A alteração anatômica do estômago e do intestino proximal resultante da cirurgia bariátrica tipo bypass gástrico tende a levar a uma absorção menor de algumas vitaminas.
Para evitar prejuízos à saúde, em alguns casos pode ser necessário uma suplementação de cálcio, ferro, ácido fólico e vitaminas — vitamina A, vitamina D, vitamina E, vitamina B1 e vitamina B12.
Mas atenção: isso sempre deve ser feito com a orientação e a supervisão de uma equipe médica multidisciplinar, composta por cirurgião bariátrico, nutricionista e outros especialistas.
A duração dessa complementação dependerá da resposta do organismo do paciente.
Vale ressaltar que uma alimentação equilibrada e rica em minerais e vitaminas pode minimizar a necessidade de suplementação via comprimidos



