
Quando você escolhe um vinho para comprar ou tomar, o fato da rolha ser de cortiça é determinante?
Já vi em lojas e restaurantes, pessoas que devolveram ou não compraram vinhos que não tinham rolhas de cortiça. E isto é mais normal do que eu imaginava.
Provavelmente porque há algum tempo atrás, os vinhos que não tinham rolha de cortiça também tinham uma qualidade inferior e duvidosa. Afinal, boas rolhas de cortiça têm um preço alto, devido à sua produção, para serem usadas em vinhos baratos.
E já digo com certeza: a vedação de um vinho influi muito em sua qualidade.
Bem, não vou me alongar muito, mas já adianto que poderíamos conversar uns 3 posts só sobre rolhas. Mas a ideia aqui é tirar dúvidas e esclarecer o básico: Vinho com rolha de cortiça ou podemos aceitar outro tipo de vedação?


A rolha de cortiça é tradicionalmente usada pelos grandes produtores de vinho, isto devido às suas características já comprovadas ao longo do tempo. Esta cortiça é a casca de um tipo de carvalho, o Sobreiro, muito encontrado no Alentejo, sul de Portugal e Espanha. Para a casca ser retirada pela primeira vez, são necessários 25 anos de espera e depois outra retirada só pode ser feita de 9 em 9 anos.
O problema das rolhas de cortiça é o “bouchonné”. Isto acontece quando a cortiça é atacada por um fungo que deixa no vinho aromas estranhos e nada agradáveis como o mofo. A porcentagem disto acontecer é muito pequena, entre 2 e 5% dos vinhos, mas devido a problemas como este que se procurou alternativas as rolhas de cortiça.
Observando as rolhas de cortiça, podemos encontrar diferenças entre elas. Existem as maciças, que são as melhores e também as mais caras e as aglomeradas, que são divididas em 2 tipos: as feitas 100% com cortiça moída e cola e as aglomeradas com parte de cortiça maciça, a qual impede que a cola usada interfira no aroma e sabor do vinho.

As alternativas para as rolhas de cortiças são as rolhas sintéticas, tampa rosca (chamada de screwcap) e as de vidro, ainda pouco usadas. Estas são alternativas de qualidade, usadas por produtores de respeito.
Mas sempre tem as concorrentes de má qualidade que custaram muito menos e são usadas por empresas que não respeitam nem o seu próprio produto, muito menos o seu cliente.
As rolhas sintéticas, de boa qualidade, chegaram ao mercado em torno dos anos 90 oferecendo a vantagem de serem mais baratas em relação a cortiça e não deixar o vinho bouchonné. Um vinho com esta vedação pode ficar de pé sem perder a qualidade. E geralmente são usadas em vinhos que devem ser consumidos novos e que não passam por envelhecimento.
A tampa rosca ou screwcap, oferece as mesmas vantagens da rolha sintética, além de serem recicláveis e não precisarem de um saca-rolhas. Tem grande aceitação na Austrália por consumidores e novos produtores.
A “rolha de vidro” parece uma tampa das antigas licoreiras e a vedação é feita por um anel de silicone, mas com características de uso parecida com as sintéticas.
Este é um assunto que ainda vai causar muitas discussões, mas em se tratando de bons e sérios produtores, pode ter certeza que usarão o melhor para manter as características do vinho.
Dica: quando o vinho tiver rolha de cortiça, o ideal é que seja guardado deitado para que a rolha permaneça úmida com o contato do vinho, o que impede o ressecamento e a consequente passagem do ar, que estraga o vinho.
Fim de semana está aí… O que você acha de chamar os amigos, tirar umas rolhas e degustar bons vinhos??? Saúde…