
Há sete anos, Fernando (nome fictício) aguarda uma cirurgia para reconstruir os ligamentos do joelho esquerdo. Há 14, operou o direito depois de seis anos de espera. Até aqui, o eletricista soma 21 anos de espera por cirurgia, mas da metade de seus 38 anos de idade.
Ele já tem o procedimento indicado por um médico da rede pública, mas espera ser chamado pela Santa Casa. O hospital por sua vez precisa de uma autorização do Estado, por meio da DRS – Divisão Regional de Saúde. Enquanto isso, Fernando espera.
Quando se fala em cirurgia eletiva, como a dele, para o sistema de saúde é um procedimento que pode esperar. Mas na prática não é assim que funciona. “Meu joelho sai do lugar até andando, porque não tenho os ligamentos íntegros. Já perdi dia de trabalho por isso mas nem assim resolvem a minha situação”, afirmou.
O professor André (também nome fictício) está na mesma situação. Espera pelo mesmo procedimento, reconstrução dos ligamentos, há mais de cinco anos. Toda vez que procura se informar, diz que ouve uma resposta padrão, de que “o procedimento aguarda a ordem cronológica”. Ele está irritado. “Não sei que ordem é essa. Para mim, é desordem cronológica”, desabafou.
E quem se cansar de esperar e decidir fazer por conta própria tem que se preparar. A reportagem apurou que o procedimento tem custo aproximado, à vista, de R$ 5 mil a R$ 7 mil. “Por isso nos deixam esperando. Se eu tivesse esse dinheiro ou algo para vender, juro que já teria operado, porque só eu e Deus sabemos o que passo”, disse André.



