Lama da barragem de mineração da Samarco/BHP Billiton/Vale rompida em Minas Gerais chega ao mar no Espírito Santo: chega, chegando com um impacto de proporção mundial: ecologistas, oceanógrafos, pescadores pedem fechamento das empresas e uma nova tecnologia capaz de descontaminar e despoluir o mar capixaba. A chegada da lama, resultado do rompimento de uma barragem em Mariana (MG) ao Oceano Atlântico, está tendo um impacto ambiental equivalente à contaminação de uma floresta tropical proporcional ao Pantanal, na importância para o equilíbrio ecológico. Em sites do Brasil e de vários países neste fim de semana e hoje também está em destaque a avaliação do biólogo André Ruschi, diretor da escola Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz, Santa Cruz, no Espírito Santo. De acordo com Ruschi, os 62 bilhões de litros de rejeitos do beneficiamento do minério de ferro despejados ao longo de 500 km da bacia do rio Doce atingirão cerca de 10 mil km² na região conhecida como Giro de Vitória, importante polo da ecologia litorânea, celeiro de nutrientes para animais marinhos, como Golfinhos e Baleias, entre outros animais, além de afetar todos os demais ecossistemas do litoral capíxaba, que é um criatório de peixes e de vida.
A foz do rio Doce está localizada no distrito de Regência, na cidade de Linhares, litoral norte do Espírito Santo. Ruschi e outros especialistas estimam que a descarga tóxica pode contaminar além do mais, três unidades de conservação marinhas, Comboios, Costa das Algas e Santa Cruz, que juntas somam 200 mil hectares (2 mil km²) no litoral Atlântico. Cientistas alertam também que como o ecossistema marinho é mais vulnerável do que o terrestre, o impacto no mar virá a ser proporcional à contaminação de uma área continental dez vezes maior ou 20 milhões hectares (200 mil km²) de floresta tropical primária. “É como dizimar, de uma só vez, todo um Pantanal”, afirmou Ruschi à BBC, em matéria que agora já escandaliza ecologistas de vários países, solidários com as populações de Minas e Espírito Santo. “O ecossistema marinho é muito mais eficiente na biossíntese do que o terrestre. Cerca de dois terços de toda a biomassa do planeta é produzida em apenas 5% ou 6% dos oceanos. Trata-se da borda dos continentes ou de regiões com menos de 200 metros de profundidade, onde as algas podem receber luz e fazer fotossíntese”. A falta deste processo da fotossíntese, compromete a própria vida e isso pelas próximas 10 décadas, a não ser que se descubra uma nova tecnologia de despoluição.





