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Exportação de calçados está cercada de mitos, afirma especialista no assunto

"É preciso tirar a negatividade das questões referentes à exportação", diz palestrante

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Com o objetivo de estimular as empresas a entrar no mercado internacional de calçados, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) promoveu na sede da entidade, em Novo Hamburgo/RS, o evento Estratégias para Exportação – Primeiros passos. 

 O encontro  contou com palestras do professor e coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da ESPM-Sul, Christian Tudesco, e de representantes do Banco do Brasil, Correios e seguradoras de crédito para exportação, além do bate-papo com profissional experiente no mercado externo de calçados. 

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O professor Tudesco abriu os trabalhos ressaltando que, em primeiro lugar, é preciso tirar a negatividade das questões referentes à exportação. 

Segundo ele, existem muitos mitos, o que, aliado à tendência brasileira de “negativar as coisas”, acaba emperrando o processo de inserção e expansão além-fronteiras.

“A verdade é que, nos últimos dez anos, acessar o mercado internacional ficou muito mais fácil, apesar de toda a instabilidade macroeconômica”, disse, acrescentando que não existe porte definido para a colocação no mercado externo.

“Na Itália, 75% das empresas exportadoras são de micro e pequenos portes. O que é fundamental é a cultura de exportação”, destacou. 

Movimento recente
Com apenas 25 mil empresas exportadoras em todo o Brasil, Tudesco ressaltou que a pauta nacional ainda é baseada em commodities.

“Das exportadoras, 250 respondem por quase 70% do total de embarques. A cultura de inserção internacional ainda é muito recente no Brasil e cabe a nós transformar isso“, comentou. 

Para a inserção além-fronteiras, o especialista destacou que são necessários alguns cuidados, especialmente na distribuição, com a escolha do parceiro ideal.

“Não podemos nos precipitar”, frisou, lembrando que uma das empresas na qual trabalhou teve marca registrada no exterior por um distribuidor mal selecionado. 

Tudesco listou algumas dicas importantes para empresas iniciantes. Segundo ele, é preciso fazer uma análise macroambiental detalhada, levando em consideração aspectos sociais e culturais do País, além de promover uma adaptação do mix de produtos.  

A definição de preços,  em consonância com a concorrência local, os custos e a demanda também é fundamental. 

Bate-papo
Através de um bate-papo com a plateia de empresários, o especialista em mercado internacional de calçados, Jadir Bergonsi, ressaltou as vantagens competitivas da marca que trabalha a exportação. 

Segundo ele, a exportação diminui o risco diante das crises, aumenta o nível de competitividade do produto e traz maior credibilidade para a empresa. 

“No entanto, é preciso entender do seu negócio, fazer um planejamento estratégico tendo em vista que a exportação é um negócio a longo prazo”, disse.

Retomando o ensinamento do professor Tudesco, ele destacou que é preciso quebrar o paradigma de que empresas menores não podem exportar.

“Algumas empresas já nascem no mercado internacional. O importante é ter uma história para contar”, concluiu. 

Cesar Colleti

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