A Alma de Deus se observa a si mesma, permitindo que a existência seja um contínuo de consciência, de luz, de entendimento do que existe, que se prolonga eternamente. Esse prolongamento não é temporal, mas antes atemporal, pois está sempre presente. O vazio sempre existiu enquanto campo infinito de possibilidades de manifestação da forma, a única diferença entre ambos é que a forma contém o vazio e o vazio não contém a forma, isto é, o vazio está sempre presente, enquanto que a forma não. Há algo de vazio inerente à condição de ser forma, à condição da fisicalidade das coisas, das dez mil coisas, o Tao, e esse vazio é a Alma de Deus – um espaço infinito e eterno, sem espaço e sem tempo, onde tudo nasce, onde tudo tem o poder da Criação e pode fazê-lo de infinitas formas, podendo recriar-se também infinitamente a partir do que criou, eternamente. E nós somos uma das formas infinitas de Deus.
José Sebastião
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*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.



