
Começo o texto de hoje com uma frase do grande Tande, medalhista olímpico e atual comentarista da Rede Globo: “Agora não adianta técnica ou tática. Agora é coração“.
Confesso que tenho lá minhas dúvidas sobre o comentário e tentarei, sem muitas delongas, apresentar meus motivos. Logo eu, um jogador (brincante) de vôlei meia boca dando pitacos sobre o esporte.
Entendo que garra, sangue nos olhos e coração são ingredientes de grandes partidas e funcionam como combustão para os vencedores. Acreditar no impossível e não desistir nunca também são importantes. Mas não apenas isso. É MUITO necessário ter tática, estratégia e preparação psicológica, desde a base, e não apenas próximo (e na) da competição.
E não sou apenas eu que pensa assim. Bárbara, que faz dupla na areia om Ágatha, e foram prata na Rio 2016, também acredita que seguir uma tática, uma estratégia, ter foco e muito treino também fazem parte dos ingredientes para o sucesso.
Bárbara, por exemplo, provou também na partida que levou a dupla pra final, que sempre é força, mas jeito, visão de jogo e inteligência.
Futuro do vôlei masculino e feminino do Brasil
Percebi certa dificuldade em sair do lugar comum, principalmente com Zé Roberto, que se mostrou muito passivo durante o tempo todo no jogo que eliminou o Brasil. Bernardinho costuma mexer. Mas são aquelas mudanças de sempre.
A China, por exemplo, venceu nossas meninas pela ousadia de sua técnica, que estava ali pra investir em um time jovem e renovado, pensando nas Olimpíadas em Tóquio, mas fazendo mudanças e buscando confundir o time brasileiro. Viu a oportunidade e a chance de vencer.
Lembro-me também do jogo masculino entre Rússia e Brasil, e Londres. O técnico Russo tirou o gigante Mikhaylov do meio da rede e o colocou como oposto, que virou todas e deu a vitória pro time de seu país.
Já disse nas minhas redes sociais que Zé Roberto e Bernardinho são gênios. Cada um a seu modo. Mas são vencedores, medalhistas, protagonistas. (ponto final).
Mas, independentemente do que ocorra nessa olimpíada, no caso, agora, com os meninos, confesso que gostaria de ver uma mudança de mentalidade no comando da seleção – ambas as seleções estão de parabéns pela dedicação em quadra.
Precisamos de mudança para inovar, renovar. Se forem os mesmos, pelo brilhantismo incontestável de ambos, que haja mudança na estratégia de ambos os técnicos.
Pitacos extras sobre a participação brasileira nas Olimpíadas
Sobre algumas eliminações brasileiras: lógico que quem está do outro lado tem seus méritos. Temos várias questões a serem resolvidas na área esportiva, desde a base até o profissional, mas eu ainda acho que o problema do Brasil, no geral, é psicológico. Há a necessidade de um trabalho a longo prazo e desde a base. Brasileiro é latino, tem todas as emoções a flor da pele (é cultural).
O brasileiro sofre da síndrome do PATINHO FEIO – ou sei lá que nome a psicologia dá para povos e pessoas que não conseguem enxergar que, dentro de suas possibilidades, há sim destaque se comparado a outros.
EXPLICO: O brasileiro reclama muito dos atletas e da falta de medalhas.
PERGUNTO: Qual país da América do Sul está na frente do Brasil no momento? Qual país da América do sul ficou na frente do Brasil no quadro de medalhas em Londres?
Isso quer dizer que vamos dormir em braços esplendidos? NÃO.
E não estamos dormindo. Podemos estar sonolentos. E, apesar de alguns problemas que temos (já comentei em outras postagens nas minhas redes sociais), nossos atletas estão evoluindo. Modalidades que nunca ganharam nada estão aí com suas medalhas.
Atletas que estão superando dificuldades para treinar mais, às vezes em condições adversas. Atletas que entram com sangue nos olhos para competir com garra e determinação.
Parabéns, atletas brasileiros, apesar de tudo vocês, nos representaram com força e determinação.



