
Problemas conjunturais e estruturais são enfrentados, desde 2007, pela cadeia produtiva da cana no maior polo de etanol e açúcar do País, o Estado de São Paulo, onde 480 municípios produtores têm registrado seguidas quedas na arrecadação tributária em função da crise que atinge a atividade canavieira paulista.
Para assegurar a constante discussão sobre o tema no âmbito governamental, foi relançada na manhã desta quinta-feira (26/11), no auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa, a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético, movimento que reúne 23 deputados estaduais que atuarão em prol da recuperação desta indústria.
A nova Frente Parlamentar, reeditada em função do novo ano legislativo que se iniciou no primeiro semestre de 2015, terá como coordenadores os deputados Roberto Morais (PPS) e Welson Gasparini (PSDB).
Durante a cerimônia de relançamento do movimento, em sessão presidida pelo presidente da Assembleia, Fernando Capez, vereadores, representantes de usinas e de quatro secretarias (Agricultura, Meio Ambiente, Transporte e Energia), além de diversas entidades do setor sucroenergético marcaram presença, entre elas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) e a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequinpar).
A presidente da UNICA, Elizabeth Farina, acredita que a Frente “reabre um importante canal de comunicação entre o setor produtivo e o poder legislativo do Estado.” A executiva também ressalta a importância desta aproximação entre iniciativa privada e poder público para a manutenção de medidas conquistadas pelo segmento sucroenergético no Estado, como a diferenciação tributária das alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobradas sobre o etanol e seu concorrente fóssil, a gasolina.
“Trata-se de um espaço importante para o diálogo. Não apenas para propor políticas públicas que fortaleçam o setor produtivo no longo prazo, mas também para defender e até ampliar aquelas que deram certo, como é o caso de redução das alíquotas do ICMS para o etanol, fundamental para alavancar a sua competitividade”, afirma a executiva.
A atividade canavieira é a segunda mais extensa cultura agrícola em São Paulo – cresceu 119% nos últimos dez anos – e gera mais de 390 mil empregos formais diretos e mais de 1 milhão de indiretos.
A indústria de equipamentos deste setor está concentrada em território Bandeirante, nas regiões de Sertãozinho, Piracicaba e Jaboticabal. Na última safra (2014/2015), o segmento sucroenergético paulista teve um faturamento de R$ 45 bilhões ao processar aproximadamente 340 milhões de toneladas de cana-de-açúcar cultivadas em mais de 480 municípios paulistas – 53% de toda a produção brasileira de etanol.
Na referida safra, as cerca de 150 indústrias produziram 13,8 bilhões de litros de etanol e 22 milhões de toneladas de açúcar. Um quarto desta produção foi originado de cana cultivada por 14 mil produtores rurais independentes.



