
O dicionário define o verbo “cuidar”, entre outros significados, como “zelar pelo bem-estar ou pela saúde de alguém”. Quem dedica parte de seu tempo para cuidar de uma pessoa sabe que este vai muito além deste conceito. Que o diga Márcia Cristina da Costa Alecrim, 40 anos. Há cinco anos atuando como cuidadora, ela diz que a aptidão é um requisito básico. “Não é fácil cuidar de pessoas mais velhas ou doentes. Tem que ter calma, tranquilidade e amor pelo que faz e ao próximo”.
Ela faz parte de uma profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho, que exige amor pelo que faz e paciência. E há uma demanda crescente para esse tipo de trabalho à medida que aumenta a população de idosos no Brasil. “É um bom mercado, mas é preciso gostar do que faz e amar as pessoas”, comenta Márcia, que cuida de pessoas idosas e doentes e cuja rotina inclui desde a ministração de medicamentos à higiene íntima e companhia. “O segredo é cuidar com carinho. Sinto-me feliz com essa profissão e faço com amor. A única dificuldade é lidar com as perdas, mas é preciso estar preparado para isso”, diz.

Segundo dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad de 2013, divulgada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, houve um aumento de 10,8% de pessoas com 70 anos ou mais entre 2011 e 2013. Estudo recente da Organização Mundial da Saúde destaca que o número de brasileiros com mais de 60 anos vai dobrar nas próximas décadas: serão quase 70 milhões de idosos até 2050.
O que enfrentar

Em muitos casos, além das limitações habituais que o avanço da idade traz, os pacientes têm diagnósticos de mais doenças, como o Alzheimer e outras demências. Há ainda situações em que o paciente necessita de cuidados por conta de algum acidente ou doença, não sendo necessariamente, idoso. Por isso, se o profissional não estiver preparado para lidar com essas situações, não vai conseguir seguir. É assim que pensa Rosângela Maria de Souza Garcia, que atua nessa área há quase 10 anos. Antes trabalhando como doméstica, ela sempre precisou lidar com pessoas de idade, e por conta da convivência, ia se afeiçoando, o que a fez decidir trabalhar como cuidadora. “Muita gente trabalha pelo dinheiro, mas é preciso ter amor, cuidar como se fosse da família”, diz Rosângela que cuida de uma pessoa e trabalha na APAE, conciliando bem os dois trabalhos. “Sou feliz com o que faço, me sinto realizada. Por isso, quero terminar meus estudos para fazer um curso na área e me especializar ainda mais”, revela.
Hoje, com a possibilidade de qualificação na área, o profissional pode desenvolver sua carreira trabalhando tanto na casa do acompanhado quanto em asilos, hospitais, casas de saúde, spas, clubes, instituições de longa permanência, clínicas, entre outros estabelecimentos.
A qualificação
Sandra Aparecida Marcolino, por exemplo, cursou Cuidador do Idoso no Senac Franca há cinco anos e, desde então, vem colhendo bons frutos da profissão. Atualmente, é chefe dos cuidadores no Lar Dona Leonor. “Antes, trabalhava em uma fábrica de calçados, mas sempre quis atuar no cuidado da terceira idade. Então fiz o curso no Senac e fui em busca de oportunidades. Há quatro anos sou chefe dos cuidadores de idosos no Lar e comprovo a cada dia que é preciso ter amor pelos atendidos. Faltam profissionais atenciosos no mercado”, diz Sandra.

O trabalho em equipe é ressaltado pela profissional. “A qualificação é uma excelente aposta, pois oferece rico conteúdo e boas práticas. O cuidador tem uma responsabilidade grande, por isso é preciso saber o que se faz. Outro ponto imprescindível é saber trabalhar em equipe, para a garantia do melhor atendimento aos idosos”, explica.
Segundo o gerente do Senac Franca, Leandro D’Arco, capacitar profissionais ou familiares para o cuidado afetuoso de idosos, com estímulos que favoreçam o envelhecimento ativo e digno, é um dos objetivos de formação propostos pelo Senac. “A necessidade de apoio às famílias que precisam se ausentar impulsiona a ascensão da profissão”, diz.
Prova disso é que somente no início deste ano, o Senac Franca recebeu mais de 15 vagas para cuidadores, que ficam expostas no mural da instituição para os alunos acompanharem. A remuneração para esta classe gira em torno de R$ 1,2 mil a R$ 2,5 mil, dependendo da carga horária e dos serviços acertados. A unidade também oferta com frequência o curso Cuidador de Idoso.
Mitos e verdades

Durante as aulas, os estudantes desenvolvem conhecimentos como: legislações que dão suporte à saúde e bem-estar da pessoa idosa; mitos e verdades do envelhecimento; conceitos de senilidade e senescência; alterações fisiológicas que acometem o idoso; cuidados com a pele; higiene oral e corporal; comunicação e relacionamento interpessoal nas relações sociais e profissionais; e saúde e segurança do trabalho.
Para Lina Célia Teixeira, coordenadora da área de saúde e bem-estar do Senac, aqueles que optarem por seguir no setor devem considerar o afeto e a paciência com os idosos. “É fundamental gostar do que se faz. Nessa profissão, os vínculos afetivos contam muito. Respeito, carinho e atenção são essenciais”, afirma Lina. Rosângela concorda e admite que a profissão conta com um bom mercado, com demanda em alta, mas que precisa de profissionais diferenciados. “É preciso trabalhar com dedicação, paciência e amor. Isso faz toda a diferença”.



