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Com envelhecimento da população, cresce demanda por cuidadores em Franca

A remuneração para esta classe gira em torno de R$ 1,2 mil a R$ 2,5 mil, dependendo da carga horária

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Segundo a OMS, número de brasileiros com mais de 60 anos vai dobrar nas próximas décadas

O dicionário define o verbo “cuidar”, entre outros significados, como “zelar pelo bem-estar ou pela saúde de alguém”. Quem dedica parte de seu tempo para cuidar de uma pessoa sabe que este vai muito além deste conceito. Que o diga Márcia Cristina da Costa Alecrim, 40 anos. Há cinco anos atuando como cuidadora, ela diz que a aptidão é um requisito básico. “Não é fácil cuidar de pessoas mais velhas ou doentes. Tem que ter calma, tranquilidade e amor pelo que faz e ao próximo”.

Ela faz parte de uma profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho, que exige amor pelo que faz e paciência. E há uma demanda crescente para esse tipo de trabalho à medida que aumenta a população de idosos no Brasil. “É um bom mercado, mas é preciso gostar do que faz e amar as pessoas”, comenta Márcia, que cuida de pessoas idosas e doentes e cuja rotina inclui desde a ministração de medicamentos à higiene íntima e companhia. “O segredo é cuidar com carinho. Sinto-me feliz com essa profissão e faço com amor. A única dificuldade é lidar com as perdas, mas é preciso estar preparado para isso”, diz.

Para Márcia, que atua como cuidadora há cinco anos, aptidão é um requisito básico para permanecer na profissão (Foto: Ricardo Fernandes)

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Segundo dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad de 2013, divulgada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, houve um aumento de 10,8% de pessoas com 70 anos ou mais entre 2011 e 2013. Estudo recente da Organização Mundial da Saúde destaca que o número de brasileiros com mais de 60 anos vai dobrar nas próximas décadas: serão quase 70 milhões de idosos até 2050.

O que enfrentar

Há 10 anos como cuidadora, Rosângela pretende se qualificar na área que abraçou com amor e dedicação (Foto: Ricardo Fernandes)

Em muitos casos, além das limitações habituais que o avanço da idade traz, os pacientes têm diagnósticos de mais doenças, como o Alzheimer e outras demências. Há ainda situações em que o paciente necessita de cuidados por conta de algum acidente ou doença, não sendo necessariamente, idoso. Por isso, se o profissional não estiver preparado para lidar com essas situações, não vai conseguir seguir. É assim que pensa Rosângela Maria de Souza Garcia, que atua nessa área há quase 10 anos. Antes trabalhando como doméstica, ela sempre precisou lidar com pessoas de idade, e por conta da convivência, ia se afeiçoando, o que a fez decidir trabalhar como cuidadora. “Muita gente trabalha pelo dinheiro, mas é preciso ter amor, cuidar como se fosse da família”, diz Rosângela que cuida de uma pessoa e trabalha na APAE, conciliando bem os dois trabalhos. “Sou feliz com o que faço, me sinto realizada. Por isso, quero terminar meus estudos para fazer um curso na área e me especializar ainda mais”, revela.

Hoje, com a possibilidade de qualificação na área, o profissional pode desenvolver sua carreira trabalhando tanto na casa do acompanhado quanto em asilos, hospitais, casas de saúde, spas, clubes, instituições de longa permanência, clínicas, entre outros estabelecimentos.

A qualificação

Sandra Aparecida Marcolino, por exemplo, cursou Cuidador do Idoso no Senac Franca há cinco anos e, desde então, vem colhendo bons frutos da profissão. Atualmente, é chefe dos cuidadores no Lar Dona Leonor. “Antes, trabalhava em uma fábrica de calçados, mas sempre quis atuar no cuidado da terceira idade. Então fiz o curso no Senac e fui em busca de oportunidades. Há quatro anos sou chefe dos cuidadores de idosos no Lar e comprovo a cada dia que é preciso ter amor pelos atendidos. Faltam profissionais atenciosos no mercado”, diz Sandra.

Após se formar como Cuidador de Idosos, Sandra se tornou chefe dos cuidadores de idosos no Lar Dona Leonor (Foto: Ricardo Fernandes)

O trabalho em equipe é ressaltado pela profissional. “A qualificação é uma excelente aposta, pois oferece rico conteúdo e boas práticas. O cuidador tem uma responsabilidade grande, por isso é preciso saber o que se faz. Outro ponto imprescindível é saber trabalhar em equipe, para a garantia do melhor atendimento aos idosos”, explica.

Segundo o gerente do Senac Franca, Leandro D’Arco, capacitar profissionais ou familiares para o cuidado afetuoso de idosos, com estímulos que favoreçam o envelhecimento ativo e digno, é um dos objetivos de formação propostos pelo Senac. “A necessidade de apoio às famílias que precisam se ausentar impulsiona a ascensão da profissão”, diz.

Prova disso é que somente no início deste ano, o Senac Franca recebeu mais de 15 vagas para cuidadores, que ficam expostas no mural da instituição para os alunos acompanharem. A remuneração para esta classe gira em torno de R$ 1,2 mil a R$ 2,5 mil, dependendo da carga horária e dos serviços acertados. A unidade também oferta com frequência o curso Cuidador de Idoso.

Mitos e verdades

Lina Célia Teixeira, do Senac, diz que para atuar nessa área é fundamental gostar do que se faz

Durante as aulas, os estudantes desenvolvem conhecimentos como: legislações que dão suporte à saúde e bem-estar da pessoa idosa; mitos e verdades do envelhecimento; conceitos de senilidade e senescência;  alterações fisiológicas que acometem o idoso; cuidados com a pele; higiene oral e corporal; comunicação e relacionamento interpessoal nas relações sociais e profissionais; e saúde e segurança do trabalho.

Para Lina Célia Teixeira, coordenadora da área de saúde e bem-estar do Senac, aqueles que optarem por seguir no setor devem considerar o afeto e a paciência com os idosos. “É fundamental gostar do que se faz. Nessa profissão, os vínculos afetivos contam muito. Respeito, carinho e atenção são essenciais”, afirma Lina. Rosângela concorda e admite que a profissão conta com um bom mercado, com demanda em alta, mas que precisa de profissionais diferenciados. “É preciso trabalhar com dedicação, paciência e amor. Isso faz toda a diferença”.

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