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EDU LOBO – ANO 73

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Eu devia ter lá meus 18 ou 19 anos quando, numa certa noite, desprezei a cadeira e me sentei no chão bem à frente do palco da saudosa A.E.C. pra ver bem de pertinho um dos meus ídolos da época. Ele estava no auge pra quem apreciava as grandes criações da M.P.B. e aqui na nossa Franca, muito antes das FMs, do CD, do pendrive e do celular, muita, mas muita gente mesmo, acodia aos espetáculos da pura e boa música brasileira. E essa foi uma dessas noites , quando fomos apreciar a obra de Edu Lobo, que se apresentou juntamente com outro ícone do mundo artístico, com grande destaque como ator de teatro e TV e como compositor : Gianfrancesco Guarnieri.

Não tenho mais 19 nem 20. Já passei dos 60 mas continuo admirando o trabalho do setentão  Eduardo de Góes Lobo, nascido no Rio de Janeiro em 29 de agosto de 1943. Cantor, compositor, instrumentista e compositor, filho do compositor Fernando Lobo e, segundo Tom Jobim, “neto” de Heitor Villa-Lobos, começou na música tocando acordeom, mas acabou se interessando pelo violão, contra a vontade do pai. Iniciou a carreira nos anos 60 fortemente influenciado pela bossa nova, quando então, numa parceria com Vinícius de Moraes, compôs “Só Me Fez Bem’. Porém, com o decorrer do tempo, adotou uma postura mais político-social, refletindo os anseios da geração reprimida pela ditadura militar. Nessa fase surgiu uma parceria com Ruy Guerra e as composições classificadas como “engajadas”  : “Reza” e “Aleluia”.

Vieram, então, participações em vários festivais de música popular, obtendo o primeiro prêmio em 1965 com “Arrastão”, parceria com  Vinicius de Moraes e em 1967 com “Ponteio”, escrita juntamente com Capinam.

Algum tempo depois, Edu passa a compor trilhas para espetáculos teatrais, entre eles o histórico Arena Conta Zumbi, quando surge a parceria com Gianfrancesco Guarnieri, que citamos no início, que rendeu o hit “Upa Neguinho”, consagrado por Elis Regina.

Depois de uma temporada nos Estado Unidos, Edu volta ao Brasil e compõe, juntamente com Chico Buarque, músicas para várias peças de ballet, entre elas, “O Grande Circo Místico”, com  canções interpretadas por Milton Nascimento, Jane Duboc, Gal Costa, Simone, Gilberto Gil, Zizi Possi, entre outros.

Seu disco “Meia-noite” recebeu o Prêmio Sharp de melhor disco de música popular brasileira do ano de 1995.

O disco”Cambaio”, gravado com Chico Buarque, recebeu o Grammy Latino de melhor álbum de MPB, em 2002.

Em 29 de agosto último, Edu completou 73 anos.

(Fontes e referências : Internet, revistas e jornais e recortes do arquivo pessoal)

(Foto: Liga Entretenimento/Divulgação)

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*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.