Eu estava furibundo¹.
Morávamos (Regina, os filhos e eu) há algum tempo em uma pequena chácara, próxima ao Poli Esportivo. Os meninos: Guilherme (9 anos), Luciana (7) e Liliana (5) eram ótimos, cândidos, disciplinados – em nossa presença. O Gui meio retraído; a Lu inquiridora e inquieta; a Li, mais tímida e com as pálpebras meio caídas, parecia zonzona – mas era a mais“esperta” e atenta. Bastava a ausência dos pais para que as artes ocorressem².
A criatividade deles era surpreendente. ”Pra” encurtar, ortopedistas os adoravam: somente a Lu, em apenas seis meses, quebrou o braço direito TRÊS vezes: rodando dentro de um pneu, caindo da mesa da copa (sobre a qual dançava balé) e despencando do galho da mangueira.
Como ia dizendo, no dia da minha furibundice, liderados pela Luciana os meninos aprontaram. Fiquei bravo (de mentirinha). Bati o pé, sapateei, dei “pitos” e fui encontrar a Luciana, sentadinha na cama, com os olhos lacrimejando, assustada, jeitinho de arrependimento e medo… Toda encolhidinha.




