A MÚSICA E O CINEMA-2

A trilha sonora foi uma excelente oportunidade para os compositores, incluindo os eruditos. Músicos de grande prestígio escreveram música para o cinema. Prokofiev foi um deles. O compositor realizou diversas experiências com o diretor cinematográfico Sergei Eisenstein, classificadas como excepcionais.
Entretanto, o verdadeiro trabalho de criação de uma linguagem musical própria deveu-se a uma série de compositores que, trabalhando em Hollywood desde o começo da década de 1930, conseguiram, em poucos anos, por a música a serviço da estrutura do filme.
Os grandes estúdios, como a Warner Brothers, tiveram durante esses anos uma orquestra fixa com uma equipe de maestros e arranjadores dedicados a gravar suas trilhas sonoras.
Max Steiner, como citado no artigo anterior, um imigrante judeu vienense que chegou aos Estados Unidos em 1914, foi o primeiro grande compositor profissional da chamada “Meca” do Cinema.
Apesar de não ter composto música para muitos filmes, outro que chegou aos Estados Unidos fugindo do nazismo foi Erich Wolfgang Korngold. Judeu austríaco, Korngold influenciou decisivamente na criação de um estilo calcado no sinfonismo pós-romântico, que arrastava o espectador para dentro da ação.
Um dos famosos filmes cuja música se deve a ele é “Robin Hood”, em sua versão original, dirigido por Michael Curtiz, produzido em 1938.
(Fontes e referências : “Enciclopédia do Estudante” e “Cinemúsica”
(Foto: Liga Entretenimento/Divulgação)
“A RÔ

João Donato de Oliveira Neto. Sou fã desse cara há muito tempo, desde quando cantava na noite uma canção romântica de sua autoria em parceria com Lysias Enio, intitulada “Até Quem Sabe”. Confesso que àquela época não conhecia muito a seu respeito. Era porque gostava mesmo da música. Hoje sou colecionador de composições dessa figura ímpar da nossa música.
Coincidentemente, neste fim de semana vi parte de uma reportagem super interessante a respeito do compositor e, também, sua obra sendo utilizada como pano de fundo de uma matéria sobre técnicas de criação do bichinho-título deste artigo. Então veio-me a vontade de escrever algo sobre o artista. E sobre sua “ A Rã”.
Autor de importante obra musical que, aos poucos, foi tendo seus temas instrumentais transformados em canções – letradas, na maioria das vezes, por Caetano Veloso e Gilberto Gil – o acreano João Donato viveu grande parte da década de 60 na Califórnia, EUA. Lá, entrosando-se com os músicos locais, adquiriu boa reputação como pianista, chegando a tocar com astros do jazz, entre os quais Bud Shank e Chet Baker mas, sem perder o contato com os brasileiros, principalmente com Sérgio Mendes, o de maior sucesso por aquelas bandas naquela ocasião.
Certa feita, valendo-se da desculpa de que estava faltando água em sua casa (coisa inaceitável em Los Angeles), João pediu a uma dos cantoras do grupo de Sérgio pra tomar banho em sua casa (ou, no banheiro de sua casa, né ?). Licença concedida, Don Juan Donato entrou imediatamente em ação, jogando todo o seu charme pra cima da moça, ao executar ao violão, tomado de súbita inspiração. Um engenhoso e original tema em ré menor, de apenas quatro notas (ré, mi, fá e sol), ao mesmo tempo em que entoava sons onomatopaicos imitando o coaxar dos sapos da região amazônica. Resultado : mais alguns dias e “The Frog” era gravada por Sérgio Mendes e seu “Brazil 66”, no álbum “Look Around”. O ano era 1968. E com a moça, dizem, deu tudo certo.
Dois anos depois, o tema recebia uma versão de João Gilberto num LP gravado no México com o título de “O Sapo”.
Em 1972, já morando de novo no Brasil, João viria a trabalhar como produtor musical de Gal Costa , ocasião em que Caetano Veloso converteu “O Sapo” em “A Rã”, criando uma nova letra, truncada, como exige a música e usando apenas três verbos: “Coro de cor/ sombra de som de cor/ de mal me quer/ de mal me quer de bem/ de bem me diz/ de me dizendo assim/ serei feliz…”
Então, “A Rã” saltou para o sucesso, entrando no LP “Cantar” e no show homônimo de Gal Costa.
E o João ? Bem, dia desses volto a falar mais sobre ele. Aliás, tem muita coisa que posso escrever a seu respeito como, por exemplo, que seu primeiro instrumento foi o acordeom (ou acordeon) e que aos 17 anos namorou uma estrela da época, aliás, imortal da MPB, Dolores Duran, que tinha, então, 23 anos.
(Acesse o link : “A Rã”, de João Donato e Caetano Veloso.)
www.youtube.com/watch?v=hrmIVhqEMu4
Fontes : “A Canção no Tempo” – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello e anotações pessoais.
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*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.



